SERES - regressar ao ínicio

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2011-04-29 18:25:21
o grau de severidade da co-infeção Hepatite C e VIH contribui para a transmissão do VHC ao bébé

Estudo revela que uma elevada carga viral da mãe e a coinfeção com o VIH são os únicos fatores de risco associados á transmissão vertical do vírus da hepatite C (VHC). A variação do gene IL28 nas crianças está independentemente associada com a eliminação espontânea do genótipo 1 do VHC entre crianças infetadas. O estado do gene IL28b na mãe ou criança não aumenta o risco de infeção vertical, de acordo com o estudo. Os resultados foram publicados na edição de Maio da  'Hepatology', uma revista da Associação Americana para o Estudo das Doenças do Fígado (American Association for the Study of Liver Diseases).

A hepatite C afeta 170 milhões de indivíduos em todo mundo. E em Portugal estima-se que sejam 150 mil indivíduos embora a grande maioria não estejam diagnosticados. Embora cerca de 20% dos infetados recupere espontaneamente, os restantes 80% padecem de hepatite C crónica (muitas vezes sem se aperceberem). Estima-se que 10% a 15% dos casos resultem em cirrose ou cancro do fígado. A maior via de infeção entre as crianças é a transmissão vertical (transmissão de mãe para o bébé) e pode ocorrer no útero ou no período de amamentação.  Apesar da evidência médica descrever fatores de risco na transmissão vertical,  esta não é totalmente compreendida. Estudos prévios investigaram a relação entre a transmissão vertical e o genótipo maternal do VHC, o modo de parto (vaginal ou cesariana) e o tipo de amamentação (amamentação natural ou artificial), mas os resultados são polémicos.

A pesquisa analisou o papel do gene IL28b na transmissão vertical (do VHC) e a eliminação espontânea do VHC entre as crianças infetadas. Foram recrutadas 145 mães infetadas com VHC, que entraram em parto entre 1991 e 2009, sendo 112 VHC RNA positivas e seronegativas ao VIH; e 33 VHC RNA negativas mas com anticorpos positivos. Um total de 142 crianças nasceram de mães VHC RNA positivas e 43 crianças nasceram de mães VHC RNA negativas. Todas foram seguidas durante 6 anos ou mais. A transmissão vertical ficou definida nas crianças que apresentavam resultados VHC RNA positivos em duas amostras sanguíneas.

O estudo demonstrou que 61% das 31 mães com polimorfismo CC, e 82% das 68 mães sem polimorfismo CC eram VHC RNA positivas. De mães VHC RNA positivas que não eram infetadas com VIH nasceram 128 crianças e 20% destas adquiriram a infeção por VHC, sendo 7% casos crónicos. Em mulheres coinfetadas com VHC e VIH, a transmissão vertical subiu para 43%. Os investigadores também verificaram que a taxa de transmissão vertical do VHC era mais elevada entre as mães que apresentavam elevados níveis de virémia (do VHC). Não foi detetada transmissão vertical nas mães VHC RNA negativas.

O aumento de risco de transmissão vertical não foi associado ao estado do gene IL28b das mães ou crianças. Contudo, foi descoberto que o genotipo não-1 e CC do gene IL28b estavam envolvidos na eliminação viral nas crianças infetadas com VHC. O polimorfismo CC era o único preditor da eliminação espontânea do genótipo 1 do VHC.