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2012-01-17 12:57:38
será que uma carga viral abaixo das 50 cópias/ml assegura o sucesso da terapia a longo prazo?

A supressão da carga viral abaixo das 50 cópias/ml pode não ser suficiente para garantir o sucesso a longo prazo da terapia anti-retroviral, de acordo com um estudo britânico publicado na edição de março da Clinical Infectious Diseases.
Os investigadores do Royal Free Hospital, Londres, descobriram através de testes ultra-sensíveis de carga viral que os pacientes com carga viral entre 40-49 cópias/ml foram significativamente mais propensos a experimentar um aumento na carga viral acima de 50 cópias/ml e 400 cópias/ml, quando comparados a indivíduos com carga viral entre 39 e 3 a 10 cópias/ml e os pacientes com carga viral verdadeiramente indetetável.
Os investigadores recomendam que "a eficácia do tratamento deve ser revista" para os pacientes cuja carga viral está acima dos níveis muito mais baixos.
No entanto, os autores de um editorial que acompanha o estudo estão menos convencidos sobre a importância das suas conclusões.

O objetivo da moderna terapia VIH é uma carga viral abaixo das 50 cópias/ml. Estudos têm demonstrado que um aumento sustentado acima deste nível está associado à falha virológica da terapia e do surgimento de estripes resistentes de VIH.
Testes capazes de medir com precisão a carga viral de 40 cópias/ml foram desenvolvidos. Em aproximadamente dois terços dos casos, os testes também pode detetar a carga viral a um limite de 10 cópias/ml.
Carga viral a um nível ultra-baixo - entre 3 a 10 cópias/ml - é muitas vezes rotulado como "viremia residual" e não pode ser erradicada com a intensificação do tratamento.
 

Em 2006, no Royal Free Hospital começaram a usar como rotina o teste de carga viral da Roche Real Time com um limite inferior de deteção de 40 cópias/ml. Os investigadores queriam verificar se uma baixa mas detetável carga viral, estava associada a um aumento do risco de subsequente recuperação da carga viral acima de 50 cópias/ml e 400 cópias/ml, quando comparado ao indivíduo cuja carga viral era completamente indetetável.
O estudo retrospetivo envolveu 1.247 pacientes em terapia anti-retroviral em que 40% apresentavam uma verdadeira carga viral (CV) indetetável. De realçar que os indivíduos com uma carga viral entre as 40 e 49 cópias/ml tomaram terapia anti-retroviral numa média de 0.2 anos comparativamente para um média de 3.2 anos para aqueles que apresentavam CV indetetável (p<0.001).
Além disso, pacientes com carga viral entre 40 e 49 cópias/ml apresentaram uma adesão significativamente mais pobre do que aqueles com menor carga viral.
Um total de 211 pacientes sofreram um aumento na carga viral acima de 50 cópias/ml, com a CV a aumentar acima de 400 cópias/ml em 40 pacientes.
Pouco mais de um terço (34%) dos pacientes com carga viral entre 40 e 49 cópias/ml sofreram um aumento em sua carga viral acima de 50 cópias/ml. Em comparação com 11% das pessoas com uma carga viral entre 39 cópias/ml e níveis residuais, e 4% dos pacientes com carga viral indetetável (p <0,001 para todas as comparações).
"Os resultados do presente estudo sugerem que o presente limite pode ser muito alto para um paciente que tem viremia quantificáveis e persistentemente detetáveis, mas estudos confirmatórios são necessários", sugerem os autores.
"Até que tais estudos estejam disponíveis, uma avaliação cuidadosa de adesão deve ser a primeira resposta aos baixos níveis de viremia. Se o tratamento deve ser modificado ou intensificado é atualmente desconhecido. "

Fonte:
http://www.aidsmap.com/Is-a-viral-load-below-50-copiesml-low-enough-to-ensure-the-long-term-success-of-HIV-therapy/page/2216226/