SERES - regressar ao ínicio

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2011-02-11 14:07:20
resiliência e envelhecer com o VIH

Á medida que envelhecemos naturalmente experienciamos uma variedade de desafios relacionados com a saúde.

Uma infeção a longo prazo como o VIH tem um peso fisico e médico mas coloca também questões psicossociais. Todos estes fatores podem afetar a qualidade de vida da pessoas sero+  e a capacidade de gerir a sua saúde com um impacto último na sua sobrevivência.

Algumas pessoas sero+ possuem uma habilidade para lidar e ultrapassar, resiliência apesar do fardo de uma condição crónica de saúde complexa. Uma pesquisa realisada pela Universidade de Washington em Seattle  entrevistou pessoas sero+ que demonstravam resiliência. As suas descobertas ajudaram a identificar uma força entre algumas pessoas sero+ que foram descritas como  envelhecimento bem sucedido. Esta descoberta pode ser importante, pois tem o potencial de apoiar os serviços de apoio psicossocial para as pessoas sero+, especialmente à medida que envelhecem.

Ao analisar os resultados, percebeu-se que as respostas às questões poderiam ser divididas em sete grande temas, que a seguir se descrevem.

Auto-aceitação

Segundo a pesquisa, vários participantes consideraram que a auto-aceitação foi "fundamental para a superação dos efeitos negativos do VIH / SIDA e as complexidades do envelhecimento com uma doença estigmatizante".

Um dos participantes referiu: "Foi bom para mim porque eu aceito envelhecer. Não quero agir como se ainda tivesse apenas 25 ... "

Outro participante explicou os seus sentimentos referindo: "Sê tu próprio, e sê feliz por ainda estares aqui"

A auto-aceitação ajudou os participantes a perceber os seus pontos fortes e a suas limitações, o que permitiu que os participantes "avançassem com as suas vidas, deixando de estar presos e atolados em arrependimentos das ações e comportamentos anteriores ."

Otimismo

A grande maioria dos participantes tinha uma visão positiva sobre o envelhecimento com VIH, continuando a ter metas sobre o futuro e com vontade de envelhecer bem, nos próximos anos. A maioria dos participantes revelou que exigiu algum esforço da sua parte "para que o viver com VIH/SIDA não tivesse um substancial impacto nos planos futuros e na sensação de bem-estar." De fato, muitos participantes pensam que viver com VIH é apenas uma das diversas barreiras que tiveram que superar, como tinham feito no passado.

Uma mulher descreve a sua abordagem ao envelhecimento: "Não é realmente um grande problema para mim. Quer dizer, tomar os meus medicamentos e continuar com minha vida. Eu não penso mais sobre o VIH. "

Vontade de viver

Vários participantes declararam firmemente que graças aos avanços no tratamento do VIH esperam viver por várias décadas. Uma mulher refere que estava grata por ter vivido até aos 57 anos, porém: "Tive uma vida boa e já estou na segunda metade da vida. E isso entristece-me, mas ninguém deixa o planeta sem morrer. "

Geratividade

Dez participantes referiram que pretendiam dar algo de retorno às suas comunidades e à sociedade em geral. Uma mulher disse que as pessoas sero+ têm uma experiência importante, uma responsabilidade a partilhar nomeadamente na educação dos jovens, independentemente do seu estado serológico: "Nós podemos dar-lhes conselhos porque nóspassámos por aquilo que eles estão a passar agora".

Autogestão

Muitos participantes levantaram questões relacionadas com os cuidados a ter para si próprios, como tomar os medicamentos de acordo com o prescrito, ter um sono equilibrado, descanso e atividade assim como ingerir uma dieta saudável. A partir do momento em que os participantes tiveram um maior controle de suas vidas, eram também mais capazes de controlar a doença do VIH.

Uma mulher de 72 anos disse: "Eu mantenho um estilo de vida saudável, dieta, exercício físico, e fazer bem é o que conta. Então, estou em muito boa forma a par de um diagnóstico tão longinquo. " E coloca a seguinte pergunta para outras pessoas sero+: "Que estás a fazer para lidar com essa condição? Considero que é como a pessoa lida com a infecção pelo VIH - ou cede ou  luta. "

Vida relacional

A equipe de estudo usou este termo para descrever como os participantes formaram as relações com outras pessoas e organizações. Muitos participantes encontraram nas suas famílias uma fonte de apoio. Um homem considerou os netos particularmente uteis porque o aceitaram incondicionalmente.

Os participantes que estavam em relacionamentos de longo prazo consideravam-no como uma grande fonte de apoio. Um homem disse: "Estive num relacionamento por 21 anos e por isso não tiveram que lidar com a solidão que faz parte do ser gay  mais velho."

Algumas pessoas encontraram as suas redes de apoio na religião, no teatro ou em outros grupos.

As relações sociais dos participantes concorrem para  o sentimento de  valorização como pessoa e ... deu-lhes um sentido de contribuir e sentimentos de auto-estima, e simultaneamente a percepção de que  não estão a enfrentar essa situação sozinhos."

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