SERES - regressar ao ínicio

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2010-03-19 18:39:15
III Congresso da CPLP VIH/SIDA-IST

No decorrer dos trabalhos da sociedade civil, que se distribuiram em diferentes salas do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, debateram-se as preocupações e expectativas da sociedade civil.

Numa das salas o canto de uma mulher, palavras que deconheço, palavras que cantei, que cantámos mulheres e homens, para que depois da beleza daqueles sons fossemos confrontados pela dura realidade dos rituais que flagelam o quotidiano das crianças e mulheres. "O VIH tem rosto de mulher" disse Lucrécia Paço que tenta tornar visível o invisivel. "No meu país, Moçambique, os homens praticam o incesto e a violação de crianças e jovens na crença de que a virgindade cura o VIH." Nesta sala falam-se de rituais, mas também dos atropelos constantes à legislação, aos direitos humanos e à dignidade da pessoa seropositiva.

Ao longo deste congresso a sociedade civil teve voz em todas as mesas, um reconhecimento institucional apesar das imensas dificuldades com que se debatem nos seus países.

Foi também a altura de fortalecer a Rede+PLP criada em 2007, no decorrer do congresso CPLP no Rio de Janeiro. A Rede+PLP, Rede da Sociedade Civil das Pessoas que Vivem, Convivem e/ou Trabalham com o VIH/SIDA nos Países de Língua Portuguesa pretende promover a sua participação efectiva como membro de pleno direito na organização e desenvolvimento das reuniões CPLP no âmbito da saúde.

Apesar de no incio a maioria dos politicos apresentarem um discurso institucional que muitas vezes não correspondia às realidades dos seus países, o encerramento com a assinatura da Carta de Lisboa e a oficialização da RIDES IST-SIDA CPLP (Rede de Investigação e Desenvolvimento em Saúde para combater o HIV/Sida e outras doenças sexualmente transmissíveis) com discursos algumas vezes improvisados mas com alma foram bastante aplaudidos. 

O secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, recordou o trabalho que desenvolveu durante dois anos na Cáritas, antes de ingressar o actual cargo na CPLP e frisou: "Depois de ser uma organização de estados, quando é que passará a ser uma organização de povos, quando é que começará a tocar a vida das pessoas".

A Diretora do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde do Brasil, Mariângela Simão refere “Não vivi toda a história sanitária no Brasil, mas li muito e sei que pela primeira vez no Brasil temos uma doença em que a voz das pessoas afetadas tem muito peso. Nós, governo, ouvimos a todo momento as pessoas com HIV e aids do país”, e acrescenta "o vírus é democrático e veio para ficar", e termina com uma referência ao poema 'Ficaram Três Coisas', de Fernando Sabino: "De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.”