-
Recentes estudos demonstram que a transmissão é zero entre casais serodiscordantes (VIH-positivo e VIH-negativo) quando a/o parceira/o VIH-positiva/o se encontra em tratamento e com carga viral indetectável.
E quando a/o parceira/o positiva/o iniciou recentemente o tratamento?As respostas de Andrew Mujugira a Terri Wilder, CROI 2015.
Fale-nos sobre o seu estudo.
No Uganda cerca de quatro em cada dez novas infeções por VIH ocorrem em casais serodiscordantes. Sabemos que fornecer tratamento antirretroviral ao parceiro positivo pode reduzir o risco de transmissão. Mas, antes de completamente suprimida a carga viral, antes da quantidade de vírus no sangue ficar abaixo da deteção dos testes, a transmissão do VIH é possível.
Seguimos 850 casais heterossexuais serodiscordantes. E observámos três períodos de tempo: antes de iniciar o tratamento, durante os seis primeiros meses, e após seis meses de tratamento.Isto porque é possível a transmissão do vírus antes de se verificar a completa supressão (carga viral indetectável).
No estudo é sugerido também que durante este período a/o parceira/o seronegativa/o considere outras opções como a profilaxia pré -exposição (PrEP) e claro o preservativo.
A profilaxia pré – exposição referida é o tenofovir/emtricitabine (Truvada)?
Sim, a profilaxia com Truvada que é uma combinação de dois medicamentos: tenofovir e emtricitabina.
No ‘Partners PrEP study’, com casais serodiscordantes, a/o parceira/o recebeu PrEP.
Principais resultados:
No estudo observou-se que nos primeiros seis meses de terapia antirretroviral existe um risco residual de transmissão, de cerca de 2% por ano.
Quando a/o parceira/o VIH-positiva/o se encontra com carga viral indetectável observamos que não existe transmissão. Portanto o período crítico são os primeiros seis meses de tratamento.
A prevenção combinada é necessária: terapia antirretroviral para a/o parceira/o VIH-positivo e PrEP para a/o parceira/o VIH-negativo até atingir a carga viral indetectável. A partir deste ultimo momento já não é necessária a PrEP.
-
-
O estudo ‘Partners Demonstration Project’, apresentado na CROI, foi realizado no Uganda e Quénia entre casais heterossexuais sero discordantes, com a premissa de que as intervenções de prevenção baseadas em antirretrovirais contra o VIH, incluindo a profilaxia pré exposição (PrEP) e a terapia antirretroviral (TAR), demonstraram uma alta eficácia na proteção contra o VIH. Pretendeu-se com o estudo perceber a eficácia destas intervenções e a sua capacidade de se complementarem.O estudo, que iniciou em 2012 e terminou em 2014, foi conduzido entre 1013 casais heterossexuais (2026 participantes) naïves à terapia antirretroviral sendo que em cerca de dois terços dos casais a mulher era a parceira VIH-positiva. Os casais de risco foram definidos através de uma ferramenta validada de medida de risco (Kahle et al., JAIDS 2013). A PrEP foi oferecida como uma “ponte” para a TAR na parceria – ou seja, até ao início da TAR ao parceira/o infetada/o pelo VIH e para os primeiros 6 meses após o início da TAR; a TAR seguiu as recomendações das orientações nacionais. A aderência em ambos foi excelente.Durante o período de estudo, em 48% dos casais a/o parceiro VIH-negativo tomou a PrEP, em 27% ambos tomaram a PrEP ou TAR, em 16% a/o parceira/o VIH-positivo tomava apenas TAR e em 9% nenhum dos parceiros tomou ARV.Verificaram-se apenas duas infeções, o que representa uma redução da taxa de infeção em 96%.Nenhuma das pessoas que foi infetada (duas mulheres) se encontrava a tomar TAR. A primeira mulher separou-se do homem com quem estava no estudo e deixou de tomar a PrEP. A segunda infeção deu-se num casal em que o parceiro VIH positivo tinha uma contagem elevada de CD4 e não quis tomar a TAR e a parceira VIH-negativa deixou de tomar a PrEP. Nenhuma das mulheres apresentou níveis detetáveis de tenofovir no seu sangue no momento da infeção.Um importante facto deste projeto é a quase eliminação da transmissão do VIH dado que a redução de infeções em VIH em 96% aplica-se a todas as infeções – incluindo aquelas de alguém que não era a/o parceira/o regular.ehttp://betablog.org/partners-prep-demo-project-near-elimination-hiv-transmission-art-prep/
-
‘Acredito que podemos alcançar um mundo livre de estigma e discriminação, onde cada pessoa se pode expressar livremente e alcançar o seu total potencial.’ as palavras de Toumani Diabaté, hoje no dia em que se celebra o dia da Discriminação Zero.Um dia para lembrar que por ter VIH não se tem liberdade de movimento internacional – existem ainda muitos países com restrições de entrada/viagem.Como as restrições de viajar mudaram desde 2008 a 2014: de 59 para 38 países que ainda impõem restrições de entrada.
-
Uma meta-análise, publicada na PLOS Medicine, de 18 estudos que medem as taxas de infeção pelo VIH entre as mulheres que usam contraceção hormonal, foi realizada na África subsaariana. Dados como participante individual estiveram disponíveis para um total de 37.124 mulheres dos 15-49 anos, dos quais 1.830 foram infetadas com o VIH.
“A contracepção tem benefícios profundos para as mulheres e sociedades”, escrevem os autores, “incluindo a redução da mortalidade e morbidade materna e infantil, empoderamento das mulheres para fazer escolhas sobre a fertilidade, a melhoria económica associada, e uma redução do número de bebés nascidos com VIH.”No entanto, as utilizadoras do contracetivo injetável de longa duração de acetato de medroxiprogesterona (DMPA) parecem ter um risco de mais de 50% de desenvolver uma infeção por VIH do que as mulheres que não estavam usando qualquer forma de contraceção hormonal.Não foi encontrado risco nos outros tipos de contracetivos injetáveis.Resultados de outro estudo publicado na revista The Lancet Infectious Diseases, sao similares, e as/os cientistas associaram o uso do DMPA a um aumento de risco de contrair o VIH de 40%.Fonte: -
Na sequência da atualização por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) das suas Diretivas em Saúde Sexual e Reprodutiva e Direitos Humanos das mulheres que vivem com VIH (Ver:http://www.who.int/hiv/pub/guidelines/sexualreproductivehealth.pdf?ua=1), a organização Salamander Trust foi convidada a consultar as mulheres que vivem com VIH para conhecer as nossas experiências e prioridades no decorrer de 2014.Esta pesquisa internacional sobre a saúde sexual e reprodutiva e os direitos humanos das mulheres que vivem com VIH constituiu-se como a maior até à data. Uma pesquisa, efetuada em 7 línguas, que foi projetada, conduzida e realizada por mulheres que vivem com VIH.Responderam 832 mulheres de 94 países, com idades entre 15-72.A Seres assim como as suas membras e redes parceiras participaram neste questionário quer no seu preenchimento quer na sua dinâmica divulgação. A Seres, voluntariamente, foi responsável pela tradução para o português.O relatório sobre esta consulta efetuada a nível mundial foi recentemente publicado. Os resultados foram apresentado na OMS, em Genebra, em janeiro de 2015, e revelam que:– Violência: 89% das entrevistadas relataram ter experimentado ou temido a violência de género, antes, durante e / ou após o diagnóstico ao VIH;
– Abusos: as entrevistadas relataram histórias de abusos de direitos humanos em ambientes de cuidados de saúde, bem como em casa;
– Criminalização: as respondentes disseram ter medo de ser em criminalizadas, o que teve impacto negativo sobre a sua saúde
– Saúde mental: Mais de 80% das entrevistadas relataram experiências de depressão, vergonha e sentimentos de rejeição.– Mais de 75% relataram insónia e dificuldade em dormir, sentimentos de culpa, baixa autoestima, solidão, problemas de imagem corporal, ansiedade ou ataques de pânico, medo antes, como resultado direto, ou após, o diagnóstico.
– Profissionais de Saúde: As atitudes e práticas das/os profissionais de saúde são fundamentais para desenvolver a capacidade das mulheres para lidar com o diagnóstico de VIH, especialmente aquando da gravidez.
– Vida sexual e maternidade saudável: Estas podem ser alcançadas quando as mulheres que vivem com VIH são apoiadas por seus parceiros, comunidades, profissionais de saúde e outras mulheres que vivem com VIH.O relatório apela para políticas e práticas que construam uma casa segura para as mulheres que vivem com VIH. Estas incluem bases de segurança, apoio e respeito para todas as mulheres em todos os momentos.Encontre o relatório aqui. -
A SERES deseja que o próximo ano nos/vos traga mais mais justiça, igualdade, saúde, bem-estar, solidariedade, recursos e oportunidades.Que esta pausa natalícia nos/vos dê energia para um novo recomeço com ainda mais força, empenho e coragem!
-
Os casos de infeção em jovens mulheres dos 13 aos 19 anos supera a dos jovens homens no Brasil.
Encontre a noticia aqui.Em Portugal, 46% das infeções nas idades 13-19 anos ocorre em jovens mulheres.
-
Neste mês, o Brasil recebeu a notícia de que um terço das/os brasileiros com VIH rejeita o tratamento: 190 mil pessoas não lutam contra a enfermidade no país. Entre os motivos, um que se destaca são os efeitos secundários dos antirretrovirais. Apesar de as drogas serem cada vez menos tóxicas, ainda não existe, por exemplo, um medicamento que seja absolutamente livre de provocar um dos efeitos mais temidos pelas/os pacientes com VIH: a alteração da distribuição da gordura corporal também chamada de lipodistrofia. Como tem impacto na autoestima, muitas/os sentem-se impelidas/os a abandonar o tratamento, o que dificulta interromper a cadeia de transmissão no país.
Braços, pernas, nádegas e rosto perdem gordura a ponto de, no caso das nádegas, a/o paciente sentir dor para se sentar. As veias ficam aparentes e o abdómen passa a acumular gordura. Homens e mulheres ganham grandes papadas e, em palavras simples, uma corcunda logo abaixo do pescoço denominada gibosidade dorsal. No caso deles, outra mudança corporal é a ginecomastia ou crescimento das mamas.
O incómodo com a mudança na aparência é tão grande que desde 2004 o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a cirurgia plástica reparadora para as/os pacientes com VIH que sofrem com a lipodistrofia. Em Portugal esta oferta é rara e muito dificultada.O problema tem influência direta na qualidade de vida com consequências físicas, psicológicas e sociais. Por isso, a adesão ao tratamento tende a diminuir e o resultado é o pior possível: o desenvolvimento de resistência aos antirretrovirais e o aumento da morbimortalidade, ou seja, incidência da doença e taxa de mortalidade na população.Encontre a noticia aqui. -
Um estudo realizado na India observou a prevalência da disfunção da tiroide entre pessoas com VIH e a sua relação com os níveis de CD4.
A prevalência subclínica de hipotiroidismo entre pessoas com VIH é elevada entre aquelas/es com grave deficiência imunitária. Contudo a literatura é escassa relativamente às pessoas recentemente diagnosticadas com VIH.O objetivo deste estudo foi o de estimar a prevalência de disfunção da tiroide e estudar a sua relação com a contagem de CD4 nesta população.O estudo foi realizado em 225 pessoas com VIH e o mesmo número em pessoas saudáveis. A contagem média de CD4 no grupo de estudo era de 147.1 (84) e 70.7% com deficiência imunitária avançada com contagem de CD4 <200/µL.A prevalência de disfunção de tiroide foi de 75.5% no grupo de estudo e de 16% no grupo de controlo.O hipotiroidismo subclínico foi a irregularidade mais comum notada em 53% dos indivíduos.Foi observada uma correlação significativa entre a contagem de CD4 ehormona estimuladora da tiroide, triiodotironina livre, e os níveis de tiroxina livre.O estudo demonstra uma elevada prevalência de disfunção da tiroide entre pessoas com VIH.A disfunção é subclínica na maioria dos casos e correlaciona-se com o declínio da contagem de CD4.Encontre o estudo aqui.Fonte: International Journal of STD & AIDSImagem: saudemedicina

