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Atualmente existem vários tratamentos orais diários para a infeção por VIH, com taxas similares de eficácia. Consequentemente, mais enfâse é dada á experiência individual de tratamento e à qualidade de vida. O antirretroviral injetável de longa duração para o VIH (Cabotegravir + Rilpivirina) pode resolver questões relacionadas com o tratamento oral, como o estigma, cansaço da toma de comprimidos, interações e aderência.
O presente estudo, ATLAS – 2M, apresenta os resultados das/dos participantes e a sua experiência na toma do injetável de longa duração a cada 4 semanas versus a cada 8 semanas.
Este estudo englobou 1045 participantes, mas neste artigo não consta referência ao género. (Mas estudos anteriores do ATLAS-2M incluíam 27% de mulheres: CROI2021)
Tanto os tratamentos a 4 semanas como 8 semanas tiveram aceitação e satisfação, independentemente dos participantes já terem tomado o Cabotegravir + Rilpivirina. E em ambos os regimes, a maioria dos participantes preferiram a dosagem a 8 semanas às 4 semanas e à toma oral.
Encontre o estudo aqui.
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COVID-19 e pessoas a viver com o VIH:
- existem evidências de um maior risco de diagnóstico e hospitalização por Covid-19 (C-19) nas pessoas que vivem com VIH (PVV)
- as características clinicas do C-19 são semelhantes às pessoas sem VIH (PSV)
- estudos mostram um maior risco de mortalidade por C-19, que é mais notável nos grupos etários com menos de 60 anos (estudos no Reino Unido, África do Sul e EUA).
- existe uma relação entre a gravidade do C-19 com a baixa contagem de CD4 e a ausência de supressão virológica
- a obesidade e a diabetes aumentam esse risco
Diagnóstico, hospitalização e morte por C-19 em PVV e PSV:
- índices de diagnóstico, hospitalização e morte por C-19, mais elevados nas PVV comparativamente com PSV e nas mulheres PVV comparativamente aos homens PVV e mulheres PSV.
Mais análises de género são necessárias sobre o risco de infeção, diagnóstico, hospitalização, morte, morbidade a longo prazo, aceitação da vacina, segurança da vacina e sua eficácia.
O impacto do C-19 afecta mais as mulheres:
- As mulheres representam 95% da limpeza doméstica e cuidadoras; 93% dos trabalhadores em cuidados infantis e ensino; 86% dos trabalhadores em cuidados de saúde, 82% dos caixas. A pandemia acentuou o trabalho não remunerado e doméstico das mulheres.
- Aumento da violência de género.
Fonte: Anna Maria Geretti, HIV&Women Workshop
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O sub-estudo REPRIEVE, realizado pela maior rede de pesquisa em VIH, o ACTG, refere que aproximadamente metade das/dos participantes no estudo, que eram consideradas pelas medidas tradicionais com sendo de risco baixo a moderado de futura doença cardíaca, apresentavam placa aterosclerótica nas suas artérias coronárias.
Se é bem conhecido que as pessoas com VIH se encontram em maior risco de episódios cardiovasculares, incluindo ataques cardíacos e AVC, pouco se compreende sobre a prevalência e extensão da arteriosclerose na doença cardiovascular entre as pessoas que vivem com VIH.
O estudo incluiu 755 pessoas a viver com o VIH, com idades entre os 40 e os 75 anos, dos Estados Unidos da América, e observou a quantidade de placa nas artérias coronárias e a sua correlação com análises sanguíneas que mediam a inflamação e a ativação imunitária. A percentagem de mulheres participantes era de apenas 16%.
Quase metade das/dos participantes apresentavam placa nas maioritariamente em algumas áreas das artérias coronárias. Em 97% dos indivíduos, a placa não causava estreitamento em mais de 50% da artéria coronária. Cerca de 23% dos indivíduos apresentava placa com características que podiam potencialmente causar problemas no futuro.
A doença cardíaca é a maior causa de doença e morte entre as pessoas que vivem com VIH, incluindo entre as/os pessoas com o VIH controlado e a receber tratamento antirretroviral.
É necessária a inclusão de mais mulheres para que se obtenham resultados significativos em relação ao género.
Encontre o estudo aqui. E a notícia aqui.
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A Tonic App juntou-se à Gilead Sciences para o lançamento, da aplicação médica, de conteúdos sobre a infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH). Esta parceria, já anunciada em dezembro 2020, levou à disponibilização na Tonic App de árvores de decisão clínica para o diagnóstico, tratamento e referenciação da infeção por VIH, entre outros.
Se é médica/o, pode fazer download da Tonic App através do link ou procurando diretamente ‘Tonic App’ na App Store ou Play Store.
Encontre a notícia aqui.
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Antes de tomar um medicamento ou um suplemento natural, pode sempre verificar as interações em:
https://reference.medscape.com/drug-interactionchecker
https://www.webmd.com/interaction-checker/default.htm
https://www.drugs.com/drug_interactions.html#
https://www.hep-druginteractions.org/checker
https://www.hiv-druginteractionslite.org/checker
OIPM – Observatório de Interações Planta-Medicamento (uc.pt)
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Um estudo realizado por cientistas chineses refere a hipertermia (calor a 44º) localizada para o tratamento do vírus do papiloma humano (VPH).
O VPH que pode causar verrugas e displasia – e em último caso o cancro cervical – pode ser eliminado através de calor.
O VPH e o cancro cervical são mais comuns nas mulheres que vivem com o VIH do que nas mulheres da população em geral.
O estudo incluiu 53 mulheres que testaram positivo ao VPH com grande risco de cancro cervical. Foi aplicado diretamente no cérvix, através de inserção vaginal, o aparelho que aplicou calor com 44º Celcius, por 30 minutos por dia durante 3 dias, mais 2 sessões adicionais 13 dias depois. Compararam com grupo de controle, com o mesmo procedimento, mas apenas a 37º Celcius.
Três meses depois, as variantes de VPH desapareceram em 85% das 27 mulheres que receberam o tratamento de calor a 44º, e 50% nas 26 mulheres do grupo de controle que receberam tratamento a 37ºC. Não foram reportadas reações adversas.
As atuais recomendações são de manter em observação para analisar eventuais anormalidades citológicas. Mas muitas mulheres preferem o tratamento imediato com receio de transmitir o VPH aos parceiros. O tratamento apresentado nesta pesquisa pode providenciar uma forma segura de o conseguir.
Este estudo requer, contudo, mais pesquisa de confirmação.
Encontre o estudo aqui.
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Alguns desafios que colocam a mulher em risco para o VIH
- discriminação, racismo ou estigma ao VIH podem afetar se as mulheres procuram ou recebem serviços de saúde de qualidade.
- desconhecer os fatores de risco do parceiro, algumas mulheres desconhecem que o seu parceiro masculino usa drogas endovenosas, frequenta trabalhadoras sexuais ou tem relações com homens. E podem não usar preservativos ou PrEP para prevenir o VIH.
- exposição ao risco, porque o sexo receptivo é mais arriscado que o sexo insertivo, as mulheres tendem a adquirir o VIH durante o sexo vaginal ou anal.
- violência por parte do parceiro: as mulheres que já sofreram este tipo de violência tendem a lidar mais com comportamentos de risco ou ser forçadas a ter sexo sem preservativo ou medicamentos que previnem ou tratam o VIH.
Em HIV and Women, Lauren Collins, Grady hospital
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#EndInequalitiesEndAIDS, um novo filme que envia uma poderosa mensagem para xs líderes mundiais: eliminar as desigualdades, eliminar a SIDA
Este novo filme da ONUSIDA (UNAIDS) apela xs lideres mundiais para eliminar as desigualdades e conta com várias celebridades e apoiantes: Directora Executiva da UNAIDS, Winnie Byanyima, e celebridades apoiantes como Kenneth Cole, Toumani Diabaté, Youri Djorkaeff, David Furnish, Sir Elton John, Princess Stéphanie do Monaco, Sheryl Lee Ralph, Stéphanie Seydoux, Charlize Theron, Brigitte Touadera, Yousra e outrxs.
Um relatório recentemente publicado, Global commitments, local action, demonstra que:
- 10.2 milhões das 37.6 de pessoas a viver com VIH ainda aguardam tratamento. O tratamento é essencial para manter a saúde e para não transmitir o VIH.
- Apenas no ano passado, 690.000 pessoas morreram de doenças associadas à SIDA.
- No mundo, o ano passado, existiram mais 1.5 milhões de infeções por VIH.
- Na África subsariana, 4500 jovens mulheres são infetadas por VIH por semana
As pessoas são convidadas a enviar as suas mensagens para xs lideres mundiais nos Mídias sociais utilizando o hashtag #EndInequalitiesEndAIDS ou assinando a carta em endinequalitiesendaids.unaids.org.
Veja o filme aqui. Encontre a noticia aqui.
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As mulheres em risco de infeção pelo VIH e que usam PrEP diariamente podem num futuro próximo usar apenas um comprimido por mês, se uma pesquisa conduzida na África subsariana e em outras partes do mundo for bem-sucedida.
O Islatravir pertence a uma nova classe de inibidor nucleósido da translocação da transcriptase reversa, uma nova classe de antirretrovirais em desenvolvimento pela Merck e para o tratamento e prevenção da infeção por VIH.
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A International AIDS Society (IAS) criou uma série de podcasts para marcar os 40 anos desde que a SIDA foi reportada.
Os podcast HIV unmuted conta com:
– o Episódio 1 onde podemos ouvir o Dr. Fauci: aqui.
– o Episódio 2 com a Professora laureada com o prémio Nobel, Françoise Barré-Sinoussi, aqui.
Neste episódio 2 fala-se dos anos 80, uma década de desespero mas também de descoberta. A professora Françoise Barré-Sinoussi partilha a história de como ela co-descobriu o VIH, o vírus que causa a SIDA. Esta grande descoberta cientifica levou ao tratamento e à esperança.
