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A Organização Mundial de Saúde (OMS) em parceria com a British Medical Journal (BMJ) publicaram vários documentos sobre A saúde das Mulheres e Desigualdades de Género, “Women’s Health and Gender Inequalities.”
Esta série de documentos celebram e interrogam o progresso coletivo em relação à Declaração de Beijing 1995, a Plataforma para Ação em Mulheres como marco na promoção dos direitos humanos das mulheres e raparigas e igualdade de género.
Ao longo destes 25 anos houve importantes progressos em diversas áreas da saúde das mulheres, contudo a discriminação de género e desigualdades na saúde das mulheres persistem. Existem, também novas e emergentes ameaças à saúde da mulher. A pandemia do covid-19 teve um impacto social, económico e na saúde desproporcional nas mulheres, quer imediato como a longo prazo. De salientar o aumento da violência contras a mulheres, o trabalho de cuidadora não remunerado e o facto de as mulheres trabalharem mais em trabalhos inseguros, mal pagos ou informais.
Estes 13 artigos, escritos por 40 autorxs de 15 países exploram o progresso em diversas áreas da saúde da mulher, mas examinam também porque é que nem um único país alcançou a igualdade de género.
- Encontre a coleção: 13 artigos – https://www.bmj.com/gender
- Oiça o primeiro podcast numa campanha para a mudança – https://www.bmj.com/gender
- Veja o trailer:
- Retweet: https://twitter.com/HRPresearch/status/1409529671834902529
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A 1 e 2 de outubro de 2021 realiza-se o Workshop Vida Saudável com VIH (Workshop on Healthy Living with HIV), organizada por Virology Education e o EATG.
Este workshop anual foca-se na promoção de uma vida saudável para as pessoas que vivem com o VIH, ao longo da sua vida.
O workshop, em inglês, é virtual e gratuito para membros de organizações comunitárias.
Faz a tua inscrição em:
https://virology.eventsair.com/hl2021/registration/Site/Register
Sabe mais em: https://academicmedicaleducation.com/healthy-living-hiv-2021
A Seres apoia este evento (“Endorsers”).
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Desde junho de 2020, que se observa que os casos agudos de COVID-19 tendem a ser sobretudo nos homens com mais de 50 anos, mas quem sofre os efeitos a longo prazo são sobretudo mulheres jovens. A média de idade, destas mulheres, é de 40 anos, e a proporção é de 4 para 1 comparativamente aos homens.
Desde o ano passado, que este enviesamento de género se tem observado no mundo, desde os hospitais no Bangladesh e Rússia ao Reino Unido. As mulheres jovens e de meia idade são desproporcionalmente vulneráveis. Suspeita-se que a proporção de mulheres, com efeitos de longa duração do COVID-19, seja potencialmente de 70-80%.
Este padrão tem sido observado em outros síndromes pós-infeção. Numa clínica de cuidados pós-COVID, em Londres, 66% das pacientes são mulheres. Muitas delas com trabalho a tempo inteiro, com crianças, e agora cerca de um quarto delas estão impossibilitadas de trabalhar porque se sentem mal.
Algumas condições que se pensa com origem infecciosa, como a síndrome da fadiga crônica/encefalomielite miálgica, doença crónica de Lyme afetam sobretudo as mulheres.
E como estas condições afetam sobretudo as mulheres, tendem a ser relegadas para origem psicológica e mesmo consideradas como hipocondria.
Assine a nossa petição para que as mulheres sejam consideradas na medicina aqui.
Pensa-se que as mulheres possuem uma mais robusta resposta imunitária. E por isso tendem a morrer menos na fase aguda do COVID-19 mas existem teorias de que fragmentos do vírus permanecem nos reservatórios, por meses. E que estes reservatórios virais acionam ondas de inflamação crónica levando a sintomas de dor, fadiga e confusão mental (“brain fog”).
Cientistas já começaram a descrever o COVID com efeitos a longo prazo de doença autoimune associada ao estrógeno, apelando para mais pesquisa e tratamentos específicos de género. Se for este o caso, o tratamento pode ser com medicação imunossupressora como esteroides.
Encontre a noticia original em inglês aqui.
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Cada vez mais mulheres que vivem com o VIH (MVV) estão a entrar na menopausa ou a experienciar sintomas da menopausa. Estes sintomas têm impacto na qualidade de vida.
Neste estudo canadiano pretendeu-se determinar a progressão de sintomas nas fases da menopausa das MVV.
- Incluiu MVV na peri ou menopáusicas, cisgénero e com mais de 40 anos, excluindo todas as pessoas com padrões anormais.
- Analisou 5 fases: (períodos irregulares) perimenopausa, 1-2 anos na menopausa (sem menstruação há pelo menos 12 meses), 2-5 anos na menopausa, mais de 5 anos na menopausa.
- As mulheres caracterizavam-se com uma média de 54.7 anos, em tratamento antirretroviral (93%), com carga viral suprimida (88%) e como contagem CD4 superior a 200 (82%).
- A maioria das mulheres vivenciavam sintomas ligeiros ou moderados sendo os mais relatados as dores articulares e musculares (56%), humor depressivo (41%), afrontamentos (35%).
- Os sintomas melhoravam através das fases da menopausa mas em alguns isso não acontecia: queixas cardíacas, sintomas urinários, secura vaginal, dores articulares, depressão.
- Os afrontamentos não diminuíam significativamente até após 5 anos na menopausa.
- A irritabilidade diminuía significativamente ao longo da transição.
Em conclusão
- A maioria das MVV experiência sintomas menopáusicos.
- Os tratamentos para MVV, no âmbito da menopausa, são escassos.
- Os afrontamentos e a irritabilidade são influenciados pela fase da menopausa.
- Os afrontamentos não diminuíam significativamente até após 5 anos na menopausa e aqui a importância das terapias hormonais de substituição.
Fonte: Dr. Elizabeth King, MD, em HIV&Women Workshop 2021
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- As mulheres continuam a ser as mais afetadas pelo VIH.
- São cerca de 18.8 milhões de mulheres e raparigas a viver com VIH no mundo
- A cada 4 minutos 3 jovens mulheres ficam infetadas com o VIH. (UNAIDS, 2018)
A profilaxia pré-exposição tem demonstrado ser altamente eficaz para prevenir a infeção pelo VIH, mas exige uma boa adesão.
PrEP injetável de longa duração (PLD):
Existe agora uma nova geração de PrEP, uma fórmula injetável eficaz e de longa duração.
Comparado com a toma oral:
- A PLD tem potencialmente menos interações medicamentosas relacionadas com o metabolismo
- A PLD tem uma menor toxicidade gastrointestinal.
- Não exige a toma diária ou toma antes da relação sexual.
- Simplifica a toma ao ser administrada menos frequentemente.
- Não resolve inteiramente os problemas de aderência.
- Necessita de uma fase oral inicial.
O estudo HPTN 084 envolveu 3200 mulheres cisgénero, VIH-negativas e sexualmente ativas, comparou o Cabotegravir (CAB) com o Truvada:
- Verificou-se 89% menor risco de VIH para as mulheres comparativamente ao Truvada.
- O CAB providenciou uma maior aderência comparativamente ao Truvada.
- Uma em cada cinco mulheres experienciou uma reação localizada à injeção sobretudo na primeira injeção, mas que diminuiu com o tempo. E não existiram descontinuações por esse motivo.
- O CAB demonstrou ser seguro e bem tolerado apesar das reações localizadas.
- Paralelamente, observou-se um elevado número de infeções sexualmente transmissíveis (clamídia e gonorreia).
- Os resultados confirmam o CAB como o primeiro e eficaz PrEP injetável para as mulheres cisgénero. (confirmam os dados do estudo HPTN 083).
- Existem já outros estudos sobre o CAB PLD em adolescentes e grávidas. É necessário garantir a segurança para adolescentes, grávidas e na contracepção.
O CAB LPD pode expandir a PrEP para as mulheres cisgénero no mundo, com a existência de mais escolhas.
Fonte: Nyaradzo Mgodi em HIV&Women Workshop 2021
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A 22 de dezembro de 2020, a Seres escreveu e divulgou a sua carta entre outras associações de doentes. O GAT subscreveu.
A Secretária de Estado da Saúde respondeu que seria tida em consideração para a fase 2 da vacinação.
Fica aqui a nossa carta:
Alguns estudos realizados, em diferentes países, demonstraram uma maior mortalidade pela COVID-19, entre as pessoas que vivem com o VIH.
Existem também diversos estudos realizados em Espanha e nos EUA que não conseguiram encontrar provas de que o VIH é um fator de risco para a COVID-19:
http://programme.aids2020.org/Abstract/Abstract/11066
https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/25787489.2020.1844521
Mas um estudo realizado no Reino Unido, que envolveu 47,592 pacientes, demonstrou que a positividade ao VIH estava associada a um maior risco de morte (47%). Esta diferença na mortalidade era mais evidente nas pessoas com menos de 60 anos. Abaixo desta idade, o estado positivo ao VIH mais do que duplicava o risco de mortalidade.
https://academic.oup.com/cid/advance-article/doi/10.1093/cid/ciaa1605/5937133
No artigo publicado no The Lancet, com estes resultados a interpretação, aponta para que as pessoas com VIH se encontram em maior risco de mortalidade por COVID-19.
https://www.thelancet.com/journals/lanhiv/article/PIIS2352-3018(20)30305-2/fulltext
As pessoas com VIH – mesmo sem outras condições de saúde geralmente consideradas de risco – são mais propensas a serem hospitalizadas com COVID-19 e a morrer devido a COVID-19 do que pessoas sem VIH, e pessoas com doença por VIH mais avançada ou carga viral não suprimida eram mais propensas do que outras pessoas com VIH a serem hospitalizadas, conforme uma revisão dos dados de vigilância no Estado de Nova Iorque.
https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.11.04.20226118v1
Anteriormente, um grande estudo na África do Sul observou também um maior risco de mortalidade entre as pessoas que vivem com VIH.
https://www.aidsmap.com/news/jul-2020/hiv-raises-risk-death-covid-19-south-africas-western-cape
Perante todos estes resultados é importante que existam medidas direcionadas para lidar com este risco acrescido, nomeadamente a inclusão das pessoas que vivem com VIH na segunda fase deste plano de vacinação em Portugal.
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COVID-19:
- Existe um potencial maior risco relacionado com um estatuto positivo ao VIH. Que pode refletir uma maior exposição
- Uma maior prevalência de comorbidades e desigualdades estruturais
- A infeção por C-19 produz uma resposta imunitária similar entre as pessoas com VIH com terapia bem controlada e a população em geral.
Não existe diferenças de género na eficácia da vacina. Contudo a resposta imunológica à vacina é mais reduzida nas pessoas com VIH que apresentam carga viral detetável.
A Astrazeneca apresentou resultados com a população com VIH mas não incluiu mulheres no seu estudo.
As vacinas mRNA são consideradas seguras para as mulheres grávidas.
Fonte: Fiona Burns em HIV&Women 2021
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- Existem evidências de um maior risco de diagnóstico, hospitalização e morte por COVID-19 (C-19) nas pessoas VIH positivas. Comparativamente aos homens VIH positivos, as mulheres VIH positivas apresentam também maior risco.
- As características clínicas do C-19 são iguais às pessoas sem VIH.
- Estudos ajustados em idade mostram um maior risco de mortalidade por COVID-19, nas pessoas VIH positivas, mais marcante no grupo etário com menos de 60 anos (dados do Reino Unido, África do Sul e EUA).
- Gravidade do C-19, nas pessoas a viver com o VIH, associada a uma atual baixa contagem de CD4 e/ou ausência de supressão virológica.
- Maior mortalidade por COVID-19 nas pessoas com VIH com menos de 60 anos.
- Obesidade e diabetes aumentam o risco. E as mulheres tendem a ser mais obesas.
- O impacto do COVID-19 não é neutro ao género porque:
- as mulheres abarcam múltiplos papeis quer seja na família quer na comunidade (como cuidadoras, empregadas da limpeza, professoras, profissionais de saúde).
- Os sectores laborais mais afetados pelo COVID-19 têm uma maior representatividade de mulheres.
- As mulheres são mais afetadas pela pobreza.
- A pandemia intensificou o trabalho não pago e o trabalho doméstico.
- Aumento do risco de violência doméstica.
- As mulheres em todo o mundo, incluindo as mulheres que vivem com o VIH, lidam com significativas ameaças à sua saúde mental e física, bem-estar e segurança económica.
Fonte: Anna Maria Geretti, em HIV&Women 2021 workshop
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Estudos realizados na Holanda e França, conjuntamente com este realizado na Califórnia demonstram que a PrEP on demand ou seja a toma de PrEP 2-1-1 que envolve :
- a toma do dobro da dose de emtricitabina/tenofovir disoproxil fumarate (Truvada) entre duas a 24 horas antes da relação sexual,
- uma dose 24 horas depois desta toma dobrada e
- uma dose final 24 horas depois desta,
é eficaz a prevenir o VIH em homens que têm sexo com homens.
Encontre o estudo referido aqui.
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Estamos perante um estudo, o primeiro a demonstrar o conceito da utilização de AMP para prevenir a aquisição da infeção. O VCR01 (anticorpo neutralizante de largo espectro) está a ser estudado para o tratamento, prevenção e cura.
“AMP, do inglês “Antibody Mediated Prevention”, significa Prevenção Mediada por Anticorpos. Este conceito consiste na proteção da infeção pelo VIH através da administração de anticorpos contra o vírus. Estes anticorpos são também conhecidos como anticorpos monoclonais, o que significa que foram sintetizados em laboratório, ao invés de serem naturalmente produzidos pelo organismo humano. Os estudos AMP investigaram a eficácia de um anticorpo denominado VRC01, administrado por perfusão intravenosa (IV), na prevenção da infeção pelo VIH”.
O VCR01 teve pouco efeito na maioria das estripes do VIH, (teve efeito em 30%) mas nos casos em que era eficaz, os casos caíram 75%. O que sugere a combinação de múltiplos anticorpos.
Estudos clínicos de combinações de anticorpos neutralizantes de largo espetro que podem prevenir o VIH por 4 a 6 meses estão já a ser realizados.
Realizaram-se 2 estudos, o primeiro estudo (HVTN 703/HPTN 081) incluiu 1,924 mulheres cisgénero da África subsariana, onde o subtipo C é o mais preponderante. O Segundo estudo (HVTN 704/HPTN 085) incluiu 2,699 HSH, homens bissexuais e adultos transgéneros da América do SUL, Suiça e EUA, onde o subtipo B é mais comum.
Os estudos avaliaram o VCR01, um anticorpo neutralizante de largo espectro oriundo de sangue doado por uma pessoa a viver com VIH (tal como a coleta de plasma de pessoas que recuperaram do COVID-19). Pois as pessoas que foram expostas a um vírus específico desenvolvem anticorpos para o controlarem. Cientistas podem modificar e multiplicar estes anticorpos e usá-los para prevenir ou tratar a infeção em outras pessoas.
Poderá ser possível a administração de anticorpos através de injeção subcutânea ou intramuscular em lugar de intravenosa.
Fonte: HIVR4P
