“Health at a Glance 2017” (“Uma visão da saúde”) da OCDE
Este novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apresenta os dados mais recentes sobre a sua população e sistema de saúde, e quando possível inclui os dados de países parceiros (Brasil, China, Colombia, Costa Rica, India, Indonesia, Lituania, Federação Russa e África do Sul), de acordo com as estatísticas nacionais oficiais.
No acesso à saude, as famílias portuguesas gastam proporcionalmente mais com saúde do que a média dos países da OCDE. No geral, as famílias da OCDE aplicam 3% do seu orçamento em despesas de saúde e Portugal é dos países onde os medicamentos, taxas moderadoras, consultas particulares levam 3,8% das verbas disponíveis no agregado familiar.
Portugal é o quarto onde mais pessoas deixaram de adquirir medicamentos em 2016 por causa dos custos (10,1%). Um em cada dez portugueses não comprou medicamentos prescritos pelo médico por motivos financeiros no ano passado, embora Portugal seja o país da Europa com medicamentos mais baratos. Pior só EUA, Suíça e Canadá.
A OCDE revela ainda que Portugal é o país, de 18 analisados, onde menos pessoas com mais de 65 anos recebem cuidados continuados – em média, 13% das pessoas nesta faixa etária têm acesso a cuidados continuados e em Portugal a percentagem é de 2,1%. O acesso aos cuidados domiciliários noutros países é bastante superior.
Em Portugal 8% da população com mais de 50 anos cuida diariamente de alguém, sendo que este é o país onde mais mulheres acabam por desempenhar este papel (70%).
Portugal é o quarto país da OCDE onde menos pessoas se sentem bem ou muito bem de saúde. Quando se tem em conta apenas a população com mais de 65 anos, Portugal é o segundo país atrás da Letónia onde menos pessoas se sentem bem de saúde – apenas 12,7% reportam estar bem ou muito bem. A média da OCDE está nos 44,9%
De acordo com este relatório, Portugal é o quarto país com mais casos de demência, com 19,9 casos por mil habitantes, um valor superior à média dos 35 países avaliados.
O número de bebés com menos de 2500 gramas nascidos em Portugal cresceu 59% em 15 anos, muito acima da OCDE.
De acordo com este relatório, as desigualdades entre os idosos aumentarão no futuro, no mundo, com maiores riscos de pobreza em idades avançadas devido ao rápido envelhecimento da população e a fatores como os percursos profissionais “irregulares” das novas gerações.
e o lado positivo:
Portugal está entre os países onde as mortes por AVC mais diminuíram desde os anos 90, uma redução superior a 70% que pode ser atribuída à redução de fatores de risco e melhoria nos tratamentos, lê-se no relatório. Recorde-se que os hospitais portugueses têm hoje uma “via verde” para estes casos.
Portugal é ainda o segundo país europeu onde mais mulheres entre os 50 e os 69 anos fazem mamografias regularmente.
Outra boa notícia está na resposta cirúrgica às cataratas. Portugal conseguiu encurtar os tempos de resposta para a média europeia. E segundo a OCDE, se no ano 2000 apenas 10% destas intervenções eram feitas com alta no próprio dia (a chamada cirurgia em ambulatório) hoje 97% das operações às cataratas já dispensam internamento.
Fonte: Health at Glance, 2017, RTP, Jornal I, Publico, Diário de Noticias
