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Estudo realizado no Canadá procurou compreender se as pessoas que vivem com VIH (PVVIH) em terapia antirretroviral altamente ativa (TAR), desde sempre, seguem o padrão onde a morbidade é relegada para os últimos anos de vida ou diminuída à medida que as pessoas envelhecem. Pretendeu-se estimar a expectativa de vida ajustada à saúde (HALE) entre adultos que vivem com e sem VIH e observou-se a dependência entre as causas das comorbidades.
O estudo (COAST – Comparative Outcomes and Service Utilization Trends / Resultados comparativos e tendências de utilização do serviço) é uma amostra retrospectiva de adultos (≥20 anos) incluindo pessoas a viver com o VIH e uma amostra aleatória de 10% da população em geral de Columbia Britânica, e com dados longitudinais relativos a 1 de abril de 1996 até 31 de dezembro de 2012. Foi determinada a prevalência de comorbidades específicas (cardiovasculares, respiratórias, doenças do fígado e renais assim como cancros não definidores de SIDA por serem altamente prevalentes entre as PVVIH) por idade e sexo.
A amostra consistiu em dados eletrónicos de saúde de 9310 PVVIH e 510 313 adultos não infetados. Estes indivíduos contribuíram para 49 605 mortes e 5 576 841 anos-pessoa no período de estudo. Na idade exata de 20 anos, a HALE era de 31 anos entre os homens a viver com VIH e de 27 anos entre as mulheres a viver com VIH. Na população VIH-negativa a HALE era de cerca 58 anos entre os homens e de 63 anos entre as mulheres. As pessoas a viver com VIH, e em particular as mulheres a viver com VIH, têm uma esperança de vida em geral mais reduzida que a população VIH-negativa e vivem menos tempo num estado saudável.
As mulheres que vivem com VIH passam menos tempo num estado saudável comparativamente com os homens a viver com VIH e sobretudo com as suas pares VIH-negativas. São, portanto, necessárias intervenções que considerem as necessidades de cuidados complexos das PVVIH a envelhecer no sentido de melhorar o seu estado de saúde.
Encontre o estudo aqui.
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‘Sendo uma infeção muito frequente nas faixas etárias mais jovens, e dada a sua associação com o aparecimento de cancro do colo do útero, foram desenvolvidas vacinas de modo a prevenir e a minimizar o impacto da infeção por HPV na saúde das mulheres. ..
‘Portugal, comparativamente com outros países europeus, apresenta uma taxa de cobertura vacinal elevada, estando desde 2008 a vacina tetravalente incluída no Plano Nacional de Vacinação (PNV), inicialmente administrada às mulheres com 13 anos de idade (nascidas a partir de 1995), em três doses, segundo o esquema de 0, 2 e 6 meses. ..
‘Entre setembro de 2014 e dezembro de 2016 foram estudadas 152 mulheres jovens vacinadas com atividade sexual ativa, com idades compreendidas entre os 14 e os 30 anos, sendo a média de idades de 21 anos. Das 152 mulheres estudadas, 28,3% (43/152) apresentaram uma infeção por HPV …
‘Os fatores de risco para a aquisição da infeção por HPV são comuns às outras infeções sexualmente transmissíveis. As 152 mulheres estudadas, entre setembro 2014 e dezembro de 2016, tinham uma média de idades de início da atividade sexual de 16,8 anos, 88,8% (135/152) das quais tiveram um parceiro sexual nos últimos três meses e 44,1% (67/152) declararam usar preservativo. ..
‘Neste estudo a maioria das mulheres vacinadas com atividade sexual ativa não estavam infetadas por HPV. ‘
Saiba mais aqui.
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‘Apenas no ano passado houve 124 óbitos.’
“É uma doença muito traiçoeira: mantém-se sem sintomas durante muitos anos, e a pessoa acaba por descobri-la quando o sistema imunitário já se encontra muito depauperado”, diz Isabel Aldir, que dirige o programa nacional de VIH/sida.
Daí a importância do teste ao VIH e o início do tratamento antirretroviral o mais rapidamente possível.
‘há grupos de risco que desconhecem sê-lo, como o das mulheres em idade de menopausa, aponta a diretora do programa nacional de VIH/sida, Isabel Aldir. Por um lado, a situação em que se encontra o seu organismo facilita a infecção durante as relações sexuais; por outro, são mais descuidadas pelo facto de já não correrem o risco de engravidar.’
Veja o artigo completo aqui.
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O ponto de partida, para estas orientações, é o momento em que uma mulher apreende que está a viver com VIH e deste modo abarca questões essenciais para a prestação de serviços e apoio abrangentes de saúde e direitos sexuais e reprodutivos das mulheres que vivem com o VIH. Como mulheres que vivem com VIH enfrentamos desafios e violações de direitos humanos relacionados com a sexualidade e reprodução nas nossas famílias e comunidades, bem como das instituições de saúde onde procuramos cuidados, uma ênfase especial é colocada na criação de um ambiente propício para intervenções de saúde mais eficazes e melhores resultados de saúde.
Estas orientações destinam-se a ajudar os países a planificar, desenvolver e monitorizar de forma mais eficaz e eficiente os programas e serviços que promovem a igualdade de género e os direitos humanos e, por conseguinte, são mais aceitáveis e apropriadas para as mulheres que vivem com VIH, tendo em conta o contexto epidemiológico nacional e local. Discute questões de implementação que as intervenções de saúde e prestação de serviços devem abordar para alcançar a igualdade de género e apoiar os direitos humanos.Encontre as Orientaçoes aqui.
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Em Portugal, mais de um terço das pessoas infetadas por VIH são mulheres. A Seres promove projetos que visam uma (con)vivência mais integrada com o VIH e o bem-estar das mulheres que vivem com e afetadas pelo VIH. Entendemos bem-estar como o estado em que cada mulher realiza o seu potencial, lida com as tensões normais da doença, vive produtivamente, frutuosamente e em realização, sendo capaz de contribuir para a sua comunidade e defender os seus direitos e qualidade de vida em paridade.
A Seres acredita que a capacitação e empoderamento das mulheres é essencial para reduzir as suas vulnerabilidades, garantindo a sua dignidade e o respeito pelos direitos humanos assim como saúde sexual.
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Porque o VIH-2 é menos virulento do que o VIH-1, e, portanto, menos frequentemente transmitido, tem sido menos estudado. Mas atualmente a questão não é tanto a sua transmissão mas o seu tratamento pois as diretrizes relativas ao tratamento do VIH não consideram este vírus.
Joakim Esbjörnsson, da Universidade de Oxford referiu que a literatura prévia sugeria que apenas 15%-25% das pessoas com VIH-2 progrediam para SIDA, e apenas uma minoria no decorrer de 10 anos.
O VIH-2 é menos fácil de transmitir e a carga viral é mais baixa que no VIH-1, contudo a quantidade de ADN proviral integrada nas suas células é igual ao do VIH-1.
Esbjörnsson sugere que as estimativas de progressão para SIDA e morte têm sido subestimadas. O seu estudo observa a progressão para SIDA e morte na polícia da Guiné Bissau em que 13% são mulheres e o tratamento para o VIH apenas disponível a partir de 2006.
Nesta amostra a progressão para SIDA foi de 6.2 anos para o VIH-1 e 14.3 anos para o VIH-2. E a progressão para a morte foi de 8.2 anos para o VIH-1 e de 15.6 anos para o VIH-2. A probabilidade de progressão para SIDA era 2.84 vezes maior no VIH-1 comparativamente ao VIH-2, e 3.5 vezes maior para a morte.
Apesar de tudo, 20 anos após o inicio da amostra enquanto 90% das pessoas com VIH-1 progrediram para SIDA apenas 70% das pessoas com VIH-2 progrediam, demonstrando que estudos prévios subestimaram consideravelmente a mortalidade e morbilidade do VIH-2. O VIH-2 era aproximadamente 90% letal em 25 anos de infeção.
A média de declínio das células/mm3 CD4 era de 22.5 por ano em pessoas com VIH-1 e de 12.8 em pessoas com VIH-2. A progressão para SIDA acontecia com um número mais elevado de CD4 no VIH-2 em relação ao VIH-1: a contagem de CD4 num diagnóstico de SIDA era de 237 células/mm3 em pessoas com VIH-2 e de 137 células/mm3 em pessoas com VIH-1.
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Estudos longitudinais realizados avaliam as mudanças cognitivas das pessoas que vivem com VIH com o envelhecimento. Descobertas realizadas em estudos longitudinais confirmam o declínio cognitivo apesar da supressão viral nomeadamente na atenção, aprendizagem, memória e fluência nas mulheres que vivem com o VIH. Nos homens que vivem com VIH não se verificaram alterações significativas comparativamente aos homens sem VIH.
saiba mais aqui.
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Um suplemento dedicado à gravidez em casais serodiscordantes foi publicado em JIAS (Journal of the International AIDS Society) e pode ser consultado aqui.
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Um estudo realizado na Suíça entre 1988-2013, analisou a esperança de vida, e incluiu a população geral (927.583 residentes) e 16.532 pessoas a viver com o VIH. Neste estudo, Gueler et al., comparou a esperança de vida relativamente aos níveis de educação.
A proporção de pacientes que morreram durante o acompanhamento diminuiu de 65,1% na era da monoterapia (tratamentos mais antigos), para 2,4% na terapia antirretroviral mais recente (TAR). Na era mais recente da TAR, a expectativa de vida aos 20 anos era de 52,7 anos entre os participantes com escolaridade obrigatória, em comparação com os 60,0 anos entre aquelas/es com ensino superior. Observou-se apenas ligeiros aumentos na população geral, de 61,1 para 61,5 anos nas pessoas com escolaridade obrigatória e de 65,4 para 65,6 anos nas pessoas com ensino superior.
No período da TAR mais recente, as pessoas VIH-positivas continuaram a ter uma esperança de vida estimada que era inferior à dos seus pares da população em geral. No entanto a esperança de vida em pessoas VIH-positivas com educação superior foi semelhante à expectativa de vida de indivíduos da população geral com escolaridade obrigatória. O sexo masculino, o tabagismo, o uso de drogas injetáveis e a baixa contagem de células CD4 + foram independentemente associados à mortalidade, no inicio da TAR.
Em conclusão, os resultados do estudo sugerem que a esperança de vida entre as pessoas que vivem com VIH poderia ser melhorada e as desigualdades educacionais reduzidas com o início mais precoce da TAR assim como com programas eficazes para terminar com o tabagismo adaptados à população que vive com o VIH.
Encontre o estudo aqui.
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A infeção pelo VIH sempre foi associada a relatos de alterações hormonais e metabólicas complexas. Historicamente, a maioria desses relatos tem sido em homens VIH-positivos.
Uma equipa de cientistas em Vancouver, Colúmbia Britânica, tem realizado vários estudos com mulheres. Na sua análise mais recente, concentraram-se na observação de uma variedade de hormonas e substâncias gordas em amostras de sangue de mulheres VIH-positivas.
Descobriram que fatores como o aumento da idade, o IMC (índice de massa corporal) e, em alguns casos, ter uma carga viral elevada antes do início da TAR (tratamento antirretroviral) estavam associados a alterações hormonais e metabólicas.
Em 58% das 192 participantes observou-se a existência de problemas hormonais/metabólicos comuns:
- colesterol ou triglicéridos – 43%
- tiroide – 15%
- glicémia/açúcar no sangue – 13%
Fatores chave associados a estes problemas relacionam-se com a idade (quanto mais a idade maior o risco de ter um ou mais destes problemas) e o ter tido uma carga viral elevada (100,000 cópias/mL ou mais).
Problemas observados e outras associações:
Doenças da Tiroide
O aumento do risco de ter níveis de tiroide anormais, em mulheres com VIH-positivo, encontra-se associado uma carga viral elevada no passado e à toma de “medicamentos psicoativos” (medicamentos para ajudar a tratar a ansiedade, depressão, psicose, problemas de sono e assim por diante)
Glicemia/açúcar no sangue
As participantes com mais idade e excesso de peso tendem a desenvolver problemas de controle dos níveis de glicemia/ açúcar no sangue. Um problema similar pode ser observado em mulheres VIH-negativas com mais idade e com excesso de peso.
Níveis anormais de colesterol e triglicéridos
Em geral, à medida que as pessoas envelhecem, começam a ter problemas em manter níveis normais de colesterol e triglicéridos. O presente estudo confirmou que estes problemas ocorrem à medida que as mulheres VIH-positivas envelhecem.
Sobre este estudo: várias questões se levantam relativamente a este estudo nomeadamente a falta de prova de causa e efeito. E gera a necessidade de mais estudos.
Referência:
Sokalski KM, Chu J, Mai AY, et al. Endocrine abnormalities in HIV-infected women are associated with peak viral load – the Children and Women: AntiRetrovirals and Markers of Aging (CARMA) Cohort. Clinical Endocrinology (Oxf). 2016 Mar;84(3):452-62.
