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Em estudo apresentado durante CROI 2026 observou que as pessoas que vivem com VIH tinham menos probabilidades de estar vivas cinco anos após um diagnóstico de cancro do pulmão, da próstata ou da mama em fase inicial do que as pessoas sem VIH, mesmo quando recebiam tratamentos oncológicos semelhantes.
Este estudo, aue inclui 7.022 pessoas com VIH e 2.749.178 pessoas sem VIH, conclui:
- As diferenças de sobrevivência associadas ao VIH são evidentes em pacientes com cancro com tumores em estágio inicial recém-diagnosticados que recebem tratamentos comparáveis.
- Nesta coorte de pessoas com tumores em estágio inicial, houve diferenças significativas na sobrevivência entre várias modalidades de tratamento para o mesmo local do tumor inicial.
- Comorbidades médicas não relacionadas ao VIH, estado de desempenho e necessidades sociais relacionadas à saúde são fatores de interferência importantes a serem considerados em análises futuras deste conjunto de dados.
Fonte: CROI 2026,
Derek J. Schneider1, Jimmy Lin2, Jessica Y. Islam2, Anna E. Coghill2,*, Gita Suneja3,4,*1The Warren Alpert Medical School of Brown University, Providence, Rhode Island, USA, 2H. Lee Moffitt Cancer Center and Research Institute, Tampa, Florida, USA, 3Huntsman Cancer Institute, University of Utah, Salt Lake City, Utah, USA, 4The University of Utah Spences Fox Eccles School of Medicine, Department of Radiation Oncology, University of Utah, Salt Lake City, Utah, USA, *Authors contributed equally -
Risco de mortalidade e diagnósticos tardios de VIH, o que segnifica este estudo para as mulheres?
- Este estudo foi realizado na Florida, de 2015–2021, incluiu 24,374 individuos
- As conclusões remetem para um estudo semelhante realizado em Inglaterra. Uma publicação recente que descreve a prevalência de diagnósticos tardios de VIH na Inglaterra entre 2015 e 2023. O estudo britânico descobriu que, de 18.217 diagnósticos, 7.177 (39%) dos diagnósticos de VIH tinham contagens iniciais de CD4 < 350 células/mm3, semelhante à proporção de indivíduos com diagnóstico tardio ou mais atrasados (41%) mostrada no relatório da Flórida.
- Conclusões do estudo britânico – abordagens de testagem de HIV direcionadas e acessíveis, que vão além dos serviços de saúde sexual, devem ser priorizadas para idosos, indivíduos expostos por meio de relações sexuais entre homens e mulheres e grupos étnicos minoritários nascidos fora do Reino Unido.
As mulheres apresentaram um aumento significativo de cerca de 40% no risco de mortalidade. A associação entre o sexo feminino e a maior mortalidade continua a ser pouco discutida nos Estados Unidos e não só. As mulheres representam uma proporção menor das pessoas com VIH nos EUA, e nos países do globo norte, o que pode torná-las estatística e programaticamente menos visíveis. (Na verdade, as mulheres neste estudo apresentavam uma probabilidade significativamente elevada de receber um diagnóstico tardio.) Esta constatação é um lembrete de que a prespetiva de género para o diagnóstico tardio e cuidados abaixo do ideal persistem, mesmo que raramente projetemos sistemas em torno dos mesmos.
Encontre o estudo da Flórida aqui.
Encontre o estudo britânico aqui.
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A SERES apresenta mais umas Conversas na Positiva com o apoio da Secretária de Estado da Igualdade e Migrações e CML.
No Dia Internacional dxs Migrantes oiçamos o testemunho poderoso da Girassol que teve de enfrentar o cancro enquanto lidava com as complexidades de ser migrante e viver com o VIH. Esta é uma história de resiliência e de luta contra barreiras múltiplas, e a sua partilha é uma lição de humanidade para todas nós. Este é um vídeo em 2 partes. Obrigada!
Encontre a sua voz e palavras poderosas em:
Parte 1
parte 2:
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Seres: 20 Anos a Mudar Vidas. O Desafio Agora É Global.
A Seres é mais do que uma associação; somos o primeiro e único refúgio, a rede de apoio e a voz incansável das mulheres que vivem com o VIH em Portugal. Ao longo de 20 anos, transformamos vidas através do apoio entre pares, formação, literacia em saúde e da defesa intransigente dos seus direitos.
O nosso trabalho teve um impacto real nas mulheres nacionais. Contudo, para sermos verdadeiras à nossa missão de apoio a todas as mulheres, temos de enfrentar a emergência que as estatísticas revelam.
📊 A Realidade do VIH em Portugal: Os Dados do INSA 2024
Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) tornam inegável a necessidade de direcionar a nossa intervenção para as mulheres migrantes.
I. O Perfil Epidemiológico Feminino
- Novos Casos: Em 2024, 27,2% dos novos diagnósticos de VIH em adolescentes e adultos foram em mulheres.
- Modo de Transmissão: A principal via de infeção continua a ser a transmissão heterossexual, respondendo por 89,5% dos novos casos femininos.
- Diagnóstico de SIDA: Dos novos casos de SIDA em 2024, 35,6% foram em mulheres, também predominantemente por transmissão heterossexual (87%).
- Idade ao Diagnóstico: A idade mediana ao diagnóstico foi de 43 anos para o VIH e 44 anos para a SIDA, sugerindo diagnósticos tardios.
II. O Foco Crítico: Mulheres Migrantes
O panorama geral dos novos diagnósticos de VIH (englobando ambos os géneros) já demonstra que a maioria ocorreu em pessoas nascidas fora de Portugal (53,6%). Mas o impacto nas mulheres é gritante:
- Proporção Alarmante: As mulheres migrantes representam aproximadamente 4 em cada 10 novos diagnósticos femininos.
- Origem Geográfica: A maioria provém de países da África Subsariana, com destaque para as cidades de Amadora, Sintra e Odivelas, onde a maioria dos casos em mulheres ocorreu em pessoas nascidas nestes países. Há também casos relevantes de mulheres oriundas da América Latina.
- Vulnerabilidade e Acesso:
- As mulheres migrantes enfrentam taxas ainda mais elevadas de diagnóstico tardio, muitas vezes devido a barreiras linguísticas, culturais ou administrativas no acesso ao sistema de saúde.
- O relatório sublinha que este grupo enfrenta maior vulnerabilidade social e económica, o que aumenta o risco de infeção e dificulta a adesão ao tratamento.
III. A Prevenção da Transmissão Vertical (Mãe-Filho)
O acompanhamento da gravidez revela a urgência de uma resposta focada:
- Incidência: Entre 2015 e 2024, nasceram 2.185 crianças de mães a viver com o VIH, com uma taxa de transmissão mãe-filho de apenas 0,73%.
- Origem das Mães: Desde 2017, predominam as mães de nacionalidade estrangeira, maioritariamente de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
- Diagnóstico Tardia e Origem Africana: Nos casos de diagnóstico da infeção pelo VIH que ocorreu durante a gravidez (o que implica maior risco de transmissão), 72,3% eram mulheres de origem africana. Cerca de 52,5% destas mulheres viviam em Portugal há um ano ou menos.
IV. Discriminação e Direitos
- Discriminação: 158 mulheres que vivem com VIH relataram algum tipo de discriminação relacionada à infeção.
- Direitos: A Seres alinha-se com a conclusão do INSA: a igualdade de género é essencial para uma abordagem eficaz à SIDA, com ênfase no cumprimento dos direitos humanos e fundamentais das pessoas afetadas.
📢 O Chamamento da Seres
O novo foco da Seres nas mulheres migrantes não é uma opção, é um imperativo de saúde pública e de direitos humanos. Elas estão a ser diagnosticadas mais tarde e enfrentam maiores barreiras no acesso e na adesão ao tratamento.
A Seres tem o conhecimento, a experiência de 20 anos de apoio entre pares e a missão. Agora, precisamos de reorientar os nossos recursos para ir ao encontro destas mulheres e garantir que a sua voz seja ouvida e os seus direitos sejam protegidos.
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A SERES apresenta mais umas Conversas na Positiva com o apoio da Secretária de Estado da Igualdade e Migrações e CML.A luta contra a infeção por VIH em Portugal tem registado progressos significativos, com uma redução no número de novos diagnósticos ao longo dos anos. No entanto, o cenário epidemiológico revela-se complexo, com a população migrante a emergir como um grupo que enfrenta vulnerabilidades acrescidas, sendo as mulheres migrantes particularmente afetadas pela intersecção de fatores sociais, económicos e de saúde.Oiçamos as suas vozes!Encontre as suas vozes em:
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No Dia Europeu da Cuidadora celebramos com mais umas Conversas na Positiva. Com o apoio da Secretária de Estado da Igualdade e Migrações e CML.Ser cuidadora em Portugal é um ato de amor, sacrifício e resiliência, mas também é uma luta constante contra um sistema que, apesar dos avanços, ainda falha em reconhecer e apoiar devidamente aquelas e aqueles que se dedicam a cuidar dos outros.É uma experiência que desafia a pessoa em todos os níveis, mas que, ao mesmo tempo, revela uma força e dedicação extraordinárias, que a sociedade portuguesa ainda tem de aprender a valorizar e a apoiar plenamente.Oiçamos as suas vozes!
Encontre as Conversas na Positiva Cuidadoras:
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A SERES apresenta mais umas Conversas na Positiva Mulheres na Positiva, com o apoio da Secretária de Estado da Igualdade e Migrações e CML.Em Portugal, apresentaram-se tardiamente aos cuidados de saúde cerca de 70% das pessoas com 50 ou mais anos. Uma percentagem significativa de novos casos de SIDA em mulheres (cerca de 24%, com base em dados de 2022) ocorre em pessoas com mais de 60 anos, o que sugere um diagnóstico tardio nesta faixa etária. O diagnóstico tardio é um grande desafio, pois significa que a pessoa só descobre a infeção quando a doença já está num estado avançado, comprometendo o sucesso do tratamento.Oiçam a voz e a experiência real de uma companheira com 87 anos que foi diagnosticada ao VIH com 70 anos. Obrigada!Encontre o vídeo em:
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A SERES apresenta mais umas Conversas na Positiva Mulheres na Positiva, com o apoio da Secretária de Estado da Igualdade e Migrações e CML.A dependência, seja de substâncias ou comportamentos, está ligada ao stresse e a experiências negativas. É portanto importante o tratamento da causa da raiz do sofrimento para superar a dependência.Em Portugal, a prática de redução de danos permitiu que a prevalência do VIH passasse da via de drogas endovenosas para a via sexual.Oiçamos as vozes, as experiências e vidas reais das nossas companheiras.Obrigada pela vossa resiliência e coragem!Previna-se! se utilizar drogas endovenosas utilize sempre material injetável novo! Utilize o preservativo! use PrEP! Cuide-se!Encontre o vídeo em:
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Pessoas com VIH apresentam maior incidência de distúrbios cardiometabólicos, de humor e cognitivos.
A má qualidade e a insuficiência do sono estão associadas a um risco aumentado dessas comorbidades e são mais comuns em pessoas com VIH.
Embora revisões anteriores tenham explorado a prevalência e os fatores de risco para queixas relacionadas ao sono em pessoas com VIH, poucas diferenciaram essas queixas por possíveis causas subjacentes.
Os distúrbios do sono em pessoas com VIH podem surgir de fatores específicos do VIH que perturbam o sono, incluindo efeitos diretos do vírus, inflamação crónica e tratamento antirretroviral.
Há também evidências de que o sono é mais frágil em pessoas com VIH e que alguns distúrbios comuns do sono, como apneia obstrutiva do sono, insónia crónica e distúrbios do ritmo circadiano, podem ser particularmente problemáticos em pessoas com HIV.
Compreender como o VIH perturba de forma única a fisiologia do sono pode informar o desenvolvimento de estratégias de gestão personalizadas e baseadas em mecanismos para melhorar a saúde do sono em pessoas com VIH/HIV.
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Para pessoas com VIH em TARV e com contagens elevadas de células CD4 que sobreviveram até 2015 ou iniciaram a TARV após 2015, a esperança de vida era apenas alguns anos inferior à da população em geral, independentemente da data em que a TARV foi iniciada. No entanto, para pessoas com contagens baixas de CD4 no início do acompanhamento, as estimativas de esperança de vida eram substancialmente mais baixas, enfatizando a referida importância do diagnóstico precoce e do tratamento continuado do VIH.

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