Risco de COVID-19 para pessoas que vivem com o VIH
A BHIVA, DAIG, EACS, GESIDA & Polish Scientific AIDS Society publicaram, a 25 de maio 2020, uma declaração sobre o risco de COVID-19 em pessoas que vivem com VIH (PVV)
COVID-19 & VIH
- Publicações de diferentes países (China, Espanha, Alemanha, Itália e Estados Unidos) reforçam que não existe evidência de uma maior taxa de infeção por COVID-19 nem um percurso diferente da doença nas pessoas que vivem com VIH comparativamente às pessoas VIH negativas.
- De notar que os casos em pessoas com VIH reportam-se numa idade mais jovem que nas pessoas VIH negativas hospitalizadas com COVID-19 mas com taxas comparáveis de comorbidades.
- Numa amostra do Reino Unido incluindo 16,749 doentes hospitalizados com COVID-19 apenas envolveu 1% de pessoas a viver com VIH mas o VIH não teve um impacto adverso na sobrevivência.
- A atual evidência indica que o risco de gravidade da doença aumenta com a idade, sexo masculino e determinados problemas crónicos como doença cardiovascular, doença pulmonar crónica, obesidade e diabetes.
- Apesar das pessoas com VIH que se encontram em tratamento com uma contagem de CD4 normal e uma carga viral suprimida não estarem num maior risco de gravidade da doença, muitas pessoas com VIH têm outras condições que podem aumentar o risco.
- De facto, quase metade das PVV na Europa têm mais de 50 anos e problemas médicos crónicos, incluindo doença cardiovascular e doença pulmonar crónica, são mais comuns nas PVV.
- Fumar é um factor de risco para infeção respiratória; parar de fumar deveria, portanto, ser encorajado para todxs pacientes. As vacinações da gripe e da pneumonia devem estar atualizadas.
- Assume-se que a supressão imunitária, indicada por uma baixa contagem de CD4 (<200/µl), ou não estar em tratamento antirretroviral, está também associado a um maior risco de gravidade da doença. Mas estes dados são escassos porque a maioria das pessoas coinfetadas com VIH e COVID-19 encontram-se em terapia antirretroviral e com carga viral suprimida.
- Pessoas com baixa contagem de CD4 (<200/ml), ou que experienciam um declínio de CD4 durante a infeção por COVID-19 devem iniciar profilaxia para infeções oportunistas. O que não tem por objetivo evitar um decurso mais grave do COVID-19 mas sim evitar complicações por infeções oportunistas adicionais. As recomendações da BHIVA e EACS contêm mais informações sobre esta profilaxia e tratamento de infeções oportunistas especificas.
- O debate sobre a potencial transmissão vertical do COVID-19 permanece controverso. Apesar de poucos relatos reclamarem a transmissão perinatal, muitos outros não encontram qualquer caso de transmissão vertical. As mulheres grávidas com COVID-19 grave que tiveram o parto no decorrer da doença realizaram o parto, na maioria das vezes, por via cesariana e sem ocorrências.
Antiretrovirais no tratamento da COVID-19
Existem contínuos debates e pesquisas sobre alguns antirretroviaris que podem ter atividade contra a COVID-19 mas sem evidência.
Tratamento COVID-19: outras opções
Todos os tratamentos, até ao momento, não demonstraram um claro beneficio clinico quer seja de hidroxicloroquina, remdesivir ou famotidina.
Pode encontrar os estudos sobre COVID-19 com PVV presentes e planeados em:
https://www.clinicaltrials.gov/ct2/results?term=hiv+covid&Search=Search
Recolha de dados sobre COVID-19 e recursos
Um sítio sobre interações medicamentosas e COVID-19 foi desenvolvido com os medicamentos experimentais: www.covid19-druginteractions.org
e um sitio em espanhol: http://www.interaccionesvih.com/docs/Interacciones importantes con Kaletra e Hidroxicloroquina_20 marzo 2020_COVID.pdf.
Sobre relatos de casos COVID-19:
- A NEAT ID Foundation desenvolveu uma ‘data dashboard’ para monitorizar o numero de casos COVID-19, hospitalizações e mortalidade em PVV e ou com hepatite na Europa em www.NEAT-ID.org.
Saiba mais aqui no sítio da BHIVA.
