Terapia antirretroviral, um tempo para a mudança de paradigma
Webinar IAS 2021 HIV HOT TOPICS
Fernando Maltez
Em 2021, a terapia antirretroviral (TARV) mais comum ainda continua a ser a tripla, com 2NRTI mais um terceiro agente, segunda geração InSTI.
Ao longo de 40 anos, o paradigma está a mudar: a terapia iniciou por ser monoterapia, depois dual. Posteriormente a terapia tripla com inibidores da protéase menos potentes e NNRTIs. Depois passámos para a tripla terapia com INSTI. Passámos para o regime dual e estamos a mudar para os injetáveis de longa ação.
- Atualmente existem 11 comprimidos de combinação de fármacos. Esta combinação revolucionou a toma única.
Porquê usar um regime de 2 fármacos quando o atual regime de 3 são potentes e bem tolerados?
- possibilidade de reduzir resistências e eventos adversos; adesão terapêutica; custo
Que regimens existem que desafiam o paradigma:
– terapia inicial: Dolutegravir/lamivudina
– simplificação/manutenção da terapia:
- inibidor da protéase potenciado mais lamivudina
- Dolutegravir/lamivudina
- Dolutegravir/rilpivirina
- Cabotegravir de longa ação mais rilpivirina
Contudo, esta terapia dual não deve ser oferecida a: pessoas com hepatite B crónica ou quem está em risco de contrair esta infeção; na gravidez; quando existe resistência ao fármaco oferecido; quando os CD4 são inferiores a 200 células; quando a carga viral é superior a 500,000 cópias. Ainda não foi estudado nas pessoas com TB.
- O regime de 2 fármacos é tão eficaz quanto o de 3. Não existe diferença na supressão virológica nem na adesão terapêutica. A viremia residual não aumenta com a toma do regime de 2 fármacos. São potentes e de eficácia durável, reduzem a toxicidade associada à TARV.
- Nos efeitos adversos existe mais efeitos adversos no regime de 2 fármacos devido aos efeitos neuropsiquiátricos do Dolutegravir, assim como maior ganho de peso.
- Relativamente aos efeitos adversos, um estudo com Dolutegravir/lamivudina vs dolutegravir mais tenofovir/entricitabina refere que o primeiro regime apresenta melhores resultados a nível do osso e renais, o segundo regime refere um maior aumento de peso.
- De salientar que a mudança para a terapia dupla não é recomendada para pessoas com o VIH avançado, com resistências ou com hepatite B.
A toma de Cabotegravir e Rilpivirina demonstrou ser uma opção eficaz relativamente à terapia tripla. A não inferioridade do regime injetável foi demonstrada até aos 5 anos de duração. A eficácia foi idêntica quer fosse administrada a cada 4 ou 8 semanas.
- Os efeitos secundários referem a administração localizada. Mas este regime exige a reorganização dos serviços para a sua administração.
- Um dos problemas que se coloca é que uma vez administrados não podem ser removidos, o que constitui um problema se existir toxicidade. E nem todas as pessoas são indicadas para os injetáveis de longa duração.
- Mas são potentes e podem reduzir o estigma da toma diária do comprimido.
