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HIV & Aging 2021
Num estudo realizado com 20276 pessoas a viver com o VIH, residentes dos Estados Unidos, a elevada carga viral indicava tromboembolismo venoso.
Várias pesquisas associaram uma elevada carga viral a doença cardiovascular arterial. Mas havia necessidade de aferir o risco de tromboembolismo venoso.
As pessoas foram seguidas numa média de 3.9 anos, verificou-se o desenvolvimento de tromboembolismo venoso em 317 das 20276 pessoas, incluindo 147 com embolismo pulmonar. As pessoas com tromboembolismo venoso eram similares às sem na proporção das mulheres (22% e 19%). As pessoas com tromboembolismo tendem a ser mais idosas (media de 47 vs 44 anos), uma mais baixa contagem de CD4 (169 vs 238 células), tendem a fumar (40% vs 30%), com diabetes (11% vs 7%), com hipertensão tratada (29% vs 20%), a usar Estatinas (20% vs 14%).
Este é o resultado do dano cumulativo de existência de uma carga viral elevada a longo termo e é, por isso, importante o uso atempado e consistente da terapia antirretroviral para suprimir a replicação do VIH e assim diminuir o risco de tromboembolismo venoso.
References
1. Ruderman S, Ma J, Delaney J, et al. High HIV viral load is associated with incident venous thromboembolism. International Workshop on HIV and Aging, September 23-24, 2021. Abstract 1.
2. Rasmussen LD, Dybdal M, Gerstoft J, et al. HIV and risk of venous thromboembolism: a Danish nationwide population-based cohort study. HIV Med. 2011;12:202-210. doi: 10.1111/j.1468-1293.2010.00869.x.
3. Bibas M, Biava G, Antinori A, et al. HIV-associated venous thromboembolism. Mediterr J Hematol Infect Dis. 2011;3:e2011030. doi: 10.4084/MJHID.2011.030.
4. Saif MW, Bona R, Greenberg B. AIDS and thrombosis: retrospective study of 131 HIV-infected patients. AIDS Patient Care STDS. 2001;15:311-320. doi: 10.1089/108729101750279687.
5. CFAR Network of Integrated Clinical Systems (CNICS). https://sites.uab.edu/cnics/ -
A SERES apresenta Conversas na Positiva, para uma maior literacia em VIH, inserido no seu projecto SERES Virtual, com o apoio da AHF.Neste segundo vídeo (de uma série de 10), Envelhecimento e Long Term Survivors.Com Raquel Freire | Isabel Nunes | Judite Corte-Real e a nossa convidada especial Enfª Catarina Esteves.A todas o nosso Obrigada!Encontre o vídeo aqui.Ou na nossa página Facebook aqui.
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Uma revisão dos resultados de estudos em todo o mundo que ofereceram apoio psicossocial a jovens com VIH sugere que foram eficazes em melhorar a adesão das/os jovens ao tratamento antirretroviral (TARV) e à carga viral, mas tiveram menos impacto em outras áreas importantes, como na tomada de comportamentos sexual de risco.
A revisão de evidências analisou 30 ensaios clínicos aleatórios que testaram várias formas de apoio psicológico, incluindo entrevista motivacional, terapia cognitivo-comportamental, capacitação econômica, apoio de pares e mindfulness.
Os testes ocorreram entre 2000 e 2020 com um total de 4.055 adolescentes e jovens com VIH (idades entre 10-24). A maioria dos testes (60%) ocorreu nos Estados Unidos. Os demais aconteceram na Nigéria, África do Sul, Uganda, Zâmbia, Zimbábue e Tailândia.
Mas o apoio psicossocial não teve um impacto significativo nos comportamentos e conhecimentos sexuais de risco das/os jovens, na vinculação ou retenção no tratamento ao VIH, ou na supressão viral. Mas é possível que os estudos não tenham acompanhado as/os jovens por tempo suficiente para avaliar adequadamente esses resultados.
Para alcançar esses resultados, o apoio psicossocial possivlment precisa ser fornecido com outras formas de apoio.
Encontre a notiícia completa aqui.
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A SERES apresenta Conversas na Positiva, para uma maior literacia em VIH, inserido no seu projecto SERES Virtual, com o apoio da AHF.
Neste primeiro vídeo (de uma série de 10): Nascer com VIH, Crianças, Adolescentes e VIH.
Com Raquel Freire | Isabel Nunes | Judite Corte-Real, e a nossa convidada especial Enf.ª Catarina Esteves.
A todas o nosso Obrigada!
Encontre o vídeo aqui.
Ou na nossa pãgina Facebook aqui.
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O maior estudo, até agora, demonstra a importância das máscaras na luta contra a Covid-19.
Um estudo envolvendo mais de 340.000 pessoas, do Bangladesh, oferece algumas das mais fortes evidências, do mundo real, de que o uso de máscaras pode ajudar as comunidades a desacelerar a disseminação do Covid-19.
A pesquisa, conduzida em 600 aldeias na zona rural do Bangladesh, é o maior ensaio aleatorizado para demonstrar a eficácia das máscaras cirúrgicas, para conter a transmissão do coronavírus. Embora estudos prévios, mais pequenos e realizados em laboratórios e hospitais tenham mostrado que as máscaras podem ajudar a prevenir a disseminação da Covid, as novas descobertas demonstram essa eficácia no mundo real – e numa vasta escala. Por cinco meses, com início em novembro passado, Mobarak e seus colegas seguiram 342.126 adultos do Bangladesh e aldeias selecionadas aleatoriamente para implementar programas para promover o uso da máscara, o que incluiu a distribuição gratuita de máscaras cirúrgicas para as famílias, fornecendo informações sobre sua importância e reforçando seu uso na comunidade.
Entre os cerca de 178.000 indivíduos que foram encorajados a usar as máscaras cirúrgicas, o uso de máscaras aumentou quase 30 por cento e a mudança de comportamento persistiu por 10 semanas ou mais. Depois que o programa foi instituído, houve uma redução de 11,9 por cento nos sintomas de Covid sintomáticos e uma redução de 9,3 por cento na seroprevalência sintomática, o que indica que o vírus foi detectado em exames de sangue.
“Um aumento de 30 por cento no uso de máscara levou a uma queda de 10 por cento na Covid, então imagine se houvesse um aumento de 100 por cento – se todas/os usassem uma máscara e víssemos uma mudança de 100 por cento”, disse Mobarak.
Segundo as/os cientistas, as máscaras reduzem significativamente as infeções sintomáticas entre os adultos com mais idade e as máscaras cirúrgicas são mais eficazes do que as versões de pano. Kwong e suas colegas estão a expandir a sua pesquisa para incluir outras aldeias e cidades na Ásia e na África Subsaariana. Pretendem também rastrear o efeito das máscaras na transmissão assintomática.
Encontre o estudo aqui. e a notícia aqui.
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A primeira fase do HIV-CORE 006, um ensaio clínico para uma nova vacina contra o VIH, começou em Lusaka, Zâmbia e em breve se estenderá ao Quênia e Uganda. A primeira dose da nova vacina contra o VIH, denominada HIVconsvX, foi administrada, na Zâmbia, no dia 3 de agosto, a 88 adultos, com idades entre 18 e 55 anos. Receberam uma dose de HIVconsvX, e será seguida por outra dose quatro semanas depois. Nenhum/a das/os participantes do ensaio tem VIH e todas/os apresentam baixo risco de infecção.
O ensaio testará o quão bem o HIVconsvX funciona, bem como sua segurança e tolerabilidade. HIVconsvX foi projetado para combater diferentes estripes de VIH. Este é um dos maiores desafios que as/os cientistas enfrentam porque existem muitas estripes diferentes do VIH em diferentes partes do mundo. O subtipo B do VIH-1 é comum na América do Norte e na Europa, por exemplo, enquanto o subtipo C é comum no sul e no leste da África.
Espera-se que uma vacina eficaz esteja disponível até 2030, mas ainda não está claro se isso é realista. Os resultados de testes como este fornecerão mais informações sobre quanto tempo será, provavelmente, necessário para desenvolver uma vacina eficaz. Os resultados do ensaio HIV-CORE 006 devem ser relatados até o final de 2022.
Fonte: Avert
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3 Estudos realizados em Pessoas com o VIH (PVV) e COVID-19 apresentados na IAS 2021
Um estudo apresentado na IAS 2021 por Silvia Bertagnolio da Organização Mundial de Saúde:
- Uma plataforma (Global Clinical Platform for COVID-19) recolheu dados de janeiro de 2020 a abril de 2021.
- Dados de 168,649 indivíduos, de 24 países, hospitalizados por COVID-19 e com conhecimento do seu estado de VIH.
- No total, 15,552 indivíduos (9.2%) eram PVV, informação do uso de ARV apenas disponível em 40% das PVV. E não existem dados sobre a carga viral e a contagem de CD4. A análise de dados incluiu a associação das características demográficas e clínicas com o seroestado de VIH, a gravidade do COVID-19 e a mortalidade no hospital.
- Das pessoas com VIH, a idade media era de 45.5 anos e 37.1% eram homens (o que significa que 62,9% eram mulheres, mas não foi dada enfâse a este dado, quando contradiz outros dados que demonstram que o COVID-19 afeta sobretudo os homens…).
- De salientar que 94.6% das PVV incluídas nesta análise eram de África de Sul. O que enviesa este estudo para as características da população Sul africana.
- No geral, o estudo observou que o VIH se encontrava independentemente associado com um acréscimo significativo de risco de COVID-19 grave ou critico na altura da admissão hospitalar e de um risco acrescido de mortalidade hospitalar.
- Na população em geral ter 65 anos ou mais, ser do sexo masculino, ter diabetes e/ou hipertensão estavam individualmente associados com um acréscimo da gravidade do COVID-19 e de mortalidade no hospital.
Os resultados deste estudo contradizem os da American Heart Association (Associação Americana do Coração, AHA) e o registo da doença cardiovascular e COVID-19:
- Este estudo observou 21,528 pessoas hospitalizadas com COVID-19, em 2020, em 107 hospitais dos EUA. Este estudo não encontrou qualquer diferença, de mortalidade hospitalar, em pessoas com e sem VIH.
- Contudo, este estudo era consideravelmente menor que o estudo da OMS pois incluiu apenas 220 pessoas com VIH.
Um estudo em Espanha incluiu 13,142 PVV, das quais 749 desenvolveram COVID-19 e concluiu que:
- uma carga viral detetável,
- idade mais avançada,
- existência de comorbilidades crónicas e
- ser migrante estava associado a um risco mais elevado de gravidade do COVID-19.
As pessoas com VIH mal controlado tendem a sofrer com mais gravidade a infeção por COVID-19.
- A OMS recomenda que as PVV sejam consideradas prioritárias na vacinação do COVID-19.
- E o CDC (Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA) recomenda que as pessoas com o VIH pouco controlado ou com doença avançada (contagem de CD4 inferior a 200 células/mm3 recebam uma terceira dose da vacina para serem consideradas completamente imunizadas.
É importante, se possível, manter o VIH controlado, tomar os ARV conforme prescrito.
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IAS, 18-22 julho 2021
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- Em geral, os homens são mais afetados que as mulheres.
- Em relação ao vírus da hepatite B (VHB), a Grécia apresentou as taxas mais elevadas.
- Todos os países demonstraram uma tendência decrescente, de prevalência, incidência e de Anos de Vida Perdidos (comparativamente aos períodos pré e post austeridade).
- A mortalidade era mais reduzida na era pré-austeridade que no período post-austeridade em Itália, Portugal e Espanha.
- Um padrão de mortalidade oposto era observado na Europa Oriental.
- Enquanto na Grécia, em 2019, se observou a maior taxa de prevalência 1374.6 casos por 100,000 indivíduos.
- A taxa de mortalidade mais elevada observou-se nas pessoas com idade igual ou superior a 70 anos na Grécia, em 2019.
- Observou-se uma tendência decrescente, em todos os países considerados, de cirrose e outras doenças do fígado.
- A mortalidade decresceu mais no período pré-austeridade que no da post-austeridade.
- As taxas de mortalidade por cancro do fígado mantiveram-se relativamente estáveis em todos os países excepto na Grécia.
Autor: Cláudia Palladino, et al
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Os efeitos da menopausa no cérebro são muitas vezes temporários, de acordo com novo estudo. Mas é necessária precaução, na leitura destes dados, para as mulheres em risco de desenvolver Alzheimer.
Um estudo aprofundado sobre as alterações no cérebro em mulheres saudáveis, antes e depois da menopausa, descobriu que a transição para a menopausa altera a estrutura, consumo de energia e conectividade do cérebro. O volume da matéria cinzenta do cérebro – que consiste em células nervosas – diminui, assim como a matéria branca, que contém as fibras que conectam as células nervosas. As regiões do cérebro associadas à memória e perceção também apresentaram declínio dos níveis de glucose.
Mas as descobertas incluíam algumas boas noticias: os cérebros das mulheres compensavam parcialmente estes declínios com um aumento do fluxo sanguíneo e produção de uma molécula chamada ATP (do inglês), a principal fonte de energia para as células. (ver o artigo aqui)
O estudo sugere que o cérebro tem a capacidade de encontrar o novo normal depois da menopausa na maioria das mulheres (ver o artigo aqui).
Contudo, as mulheres deste estudo, que tinham uma variante genética associada a um risco mais elevado de desenvolver a doença de Alzheimer, acumulavam mais placas de uma proteína chamada beta amiloide durante a perimenopausa em comparação com mulheres e homens sem esta variante genética.
Para as mulheres com predisposição para a doença de Alzheimer, existe uma tendência para os seus cérebros começarem a acumular as placas de Alzheimer durante a transição da menopausa. (ver mais aqui)
Durante a menopausa e a perimenopausa – os cerca de 4 a 10 anos que levam à última menstruação – os níveis de estrogénio flutuam e eventualmente diminuem. O estrogénio protege o cérebro feminino de envelhecer e estimula a atividade neural. Pode também ajudar a prevenir a acumulação de placas associadas à doença de Alzheimer.
Supõe-se que as alterações hormonais durante a transição e as mudanças resultantes no cérebro geram os sintomas como suores noturnos, ondas de calor, confusão mental (brain fog), problemas de memória e sono perturbado, bem como, possivelmente, ansiedade, depressão e fadiga.
No último estudo, a pesquisa:
- envolveu 160 mulheres entre os 40 e os 65 anos que compararam a 125 homens da mesma idade.
- Usaram-se imagens, incluindo ressonâncias magnéticas e tomografias para estudar os cérebros de mulheres que se enquadravam em três categorias: aquelas que não tinham começado a menopausa, definida por ausência de menstruação por 12 meses; aquelas na perimenopausa; e aqueles que estavam na pós-menopausa.
- As imagens obtidas nos dois anos seguintes depois da menopausa demonstraram que as alterações no cérebro são muitas vezes transientes e mesmo, em algumas partes do cérebro, reversíveis.
- Embora algumas imagens mostrassem uma redução no volume da massa cinzenta, para algumas mulheres esses declínios foram restaurados após a menopausa, especialmente no Pré-Cuneus, uma região do cérebro usada na cognição social e na memória.
- Em outras mulheres, os níveis estabilizaram.
- Em cerca de 20% das mulheres, não houve recuperação significativa.
A massa cinzenta do cérebro era elevada na pré-menopausa, descia durante a perimenopausa, mas recuperava ou estabilizava em muitas partes do cérebro depois da menopausa. O que sugere que o cérebro se adapta. E que os cérebros das mulheres voltam a ter níveis semelhantes, em termos de estrutura e função pós-menopausa, aos da pré-menopausa.
O que não é claro ainda é se as alterações se devem à menopausa ou ao envelhecimento.
Encontre o artigo aqui.
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No dia 19 de agosto, deste ano, iniciaram as pesquisas experimentais da vacina para o VIH-1, tendo por base o mesmo processo inovador das vacinas contra o COVID-19 (da Moderna e Pfizer).
Esta pesquisa, da Moderna, encontra-se na fase 1, em humanos. Inclui 56 participantes, adultos com idades compreendidas entre os 18 e 50 anos, que preenchem os critérios de inclusão. (não faz referência à percentagem de mulheres incluídas).
Esta fase 1 vai demorar cerca de 10 meses. Se passar esta fase, ainda precisa submeter-se à fase 2 e 3 (depois da segurança garantida na fase 1, é preciso determinar a sua eficácia na prevenção do VIH na população em geral).
A produção de uma vacina tem sido dificultada devido à rapidez com que o VIH infecta o nosso ADN e como é capaz de rapidamente alterar a sua estrutura (mutação).
Esta não é a primeira tentativa nem a única de criar uma vacina contra o VIH. Neste momento existem várias pesquisas no mesmo ou em diferentes laboratórios.
Encontre a notícia aqui.
