Saúde vaginal – cancro vaginal e outros
A saúde vaginal é uma parte crucial da saúde geral, com várias condições vaginais que podem afetar a qualidade geral da vida diária, as relações sexuais e a fertilidade. As infecções são uma preocupação comum, enquanto outras condições são raras, mas potencialmente graves. Saber o que observar e as melhores práticas para diagnóstico e tratamento é crucial para garantir que não sofre desconforto contínuo ou complicações de longo prazo
- O cancro vaginal é incomum, especialmente o cancro vaginal primário, pois a maioria das lesões são metastáticas, ou seja, derivadas de outro órgão.
- As metástases, provêm tipicamente dos órgãos reprodutivos (por ex.: cérvix, endométrio, ovários), contudo também podem ter origem noutros órgãos (por ex.: cólon, mamas, pâncreas).
- É importante perceber se o cancro vaginal é primário ou uma metástase pois os tratamentos são diferentes.
- O sangramento vaginal indolor é o sintoma mais comum. O sangramento ocorre na pós-menopausa na maioria das pacientes, o que é consistente com a idade de pico de 60 anos para o carcinoma de células escamosas, o tipo mais comum de cancro vaginal. Menorragia, sangramento intermenstrual e sangramento pós-coito também foram relatados.
- O corrimento vaginal ocorre em cerca de um terço das pacientes. Algumas pacientes relatam sintomas urinários, que são causados por uma lesão anterior comprimindo ou invadindo a bexiga, a uretra ou ambos. Isso causa dor na bexiga, disúria, e hematúria. Também podem ter dor pélvica.
- Cerca de um quarto das pacientes são assintomáticas; o diagnóstico é feito durante o exame pélvico de rotina.
De referir também que:
O carcinoma vaginal primário é raro, constituindo apenas 1-2% de todos os tumores ginecológicos malignos. Este carcinoma ocupa o quinto lugar em frequência, atrás do cancro do útero, colo do útero, ovário e vulva.
Cancro do ovário, carcinoma da vagina e cancro da vulva – têm em comum o facto de serem os três cancros ginecológicos com menor incidência. Mas, enquanto o cancro da vulva e da vagina são curáveis se detetados numa fase inicial, o cancro do ovário é o tumor maligno mais letal na mulher, sendo habitualmente diagnosticado em fases já avançadas.
No cancro do ovário , em 70% das doentes, o diagnóstico é feito em fases avançadas, já que na fase inicial não causa sintomas óbvios. No entanto, à medida que evolui, pode provocar os seguintes sintomas:
- Pressão ou dor no abdómen, pélvis, costas ou pernas
- Abdómen inchado ou sensação de enfartamento (estar “enfartada”)
- Náuseas, indigestão, gases, prisão de ventre ou diarreia
- Sensação constante de grande cansaço
Numa pequena percentagem de mulheres podem surgir os seguintes sintomas:
- Falta de ar
- Vontade constante de urinar
- Hemorragias vaginais invulgares após a menopausa
Na Europa Ocidental, Portugal é o país com a mais elevada taxa de incidência de cancro do colo do útero. Afeta a parte inferior e mais estreita do útero, que o liga à vagina, e ocorre com maior frequência a partir dos 40 anos.
A infeção é, muitas vezes, assintomática, sendo o rastreio (exame de Papanicolau) a única forma de detetar células cervicais anormais. A persistência de infeção por vírus HPV de alto risco, em especial o tipo 16 e o 18, pode originar lesões da vulva, vagina ou colo do útero que podem ser denunciadas por:
- Hemorragia vaginal anormal, após as relações sexuais (coitorragias), entre períodos menstruais regulares (metrorragias) ou após a menopausa (metrorragia pós-menopausa)
- Aumento do corrimento vaginal
- Períodos menstruais mais prolongados e intensos do que o habitual (hiper e menorragias)
- Dor na região genital e/ou durante as relações sexuais (dispareunia)
Faça os rastreios com regularidade!
Fonte: Medscape e CUF
